Saúde

Prefeitura recua e cancela nomeação de médica antiaborto para hospital de referência

CartaCapital revelou, em primeira mão, que Marcia Tapigliani comandaria o Hospital Vila Nova Cachoeirinha, unidade referência no procedimento que vem sendo desmontada pela gestão Nunes

Prefeitura recua e cancela nomeação de médica antiaborto para hospital de referência
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A prefeitura de São Paulo recuou na nomeação da médica antiaborto Marcia Tapigliani para o cargo de diretora do Hospital Municipal e Maternidade da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da capital.

A indicação de Tapigliani ocorreu um mês após a unidade de saúde suspender os procedimentos de aborto legal. Logo após a indicação, a Secretaria de Saúde solicitou os prontuários médicos de todas as pacientes que realizaram aborto na unidade entre 2021 e 2023.

Embora não tenha sido oficializado no Diário Oficial, a informação foi antecipada pelo secretário Municipal da Saúde, Luiz Carlos Zamarco, para CartaCapital. Segundo ele, a troca na direção já estava sendo negociada desde novembro de 2023.

A Secretária Municipal de Saúde chegou a realizar um processo interno em janeiro para exonerar Marcia das funções no Hospital Municipal Dr Alexandre Zaio nomeá-la ao novo cargo, mas o processo foi encerrado pela prefeitura.

A deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP) comemorou o recuo na nomeação, mas ressaltou a necessidade de que o Hospital Vila Nova Cachoeirinha retome os serviços que compõem o apoio e execução do aborto legal. “Nós vamos protocolar o nosso recurso de agravo para derrubar a decisão [que impede o procedimento]. É das mulheres o direito, das pessoas que sofreram uma violência. Elas têm o direito de ser acolhidas adequadamente e ter o melhor atendimento possível e de interromperem para não sofrerem uma nova violência”, destaca a deputada.

Luciene ressalta também a necessidade de que as indicações aos cargos feitas pela prefeitura sejam avaliadas em relação às leis para funções públicas. Segundo a deputada, a legislação obriga que 30% dos cargos de diretores hospitalares sejam preenchidos por servidores de carreira, o que, segundo um levantamento preliminar do gabinete, não ocorre.

Filiada ao PL de Jair Bolsonaro, a ginecologista havia se candidatado a deputada estadual nas eleições de 2022, mas não conseguiu se eleger. Durante a campanha eleitoral, Tapigliani posada em flyers ao lado do ex-capitão e defendia o direito à vida com argumentos como de que ‘’a vida começa a partir da concepção”, algo que, segundo ela, seria “indiscutível para a ciência e a teologia”.

Os detalhes sobre o movimento para a nomeação de Marcia Tapigliani e a investigação interna promovida pelo hospital ao interromper os serviços de aborto legal podem ser lidos na reportagem Direito negado, na edição 1297 de CartaCapital. Leia aqui.

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