Mundo

Departamento de Justiça dos EUA pedirá pena de morte para autor de massacre racista

O caso custou a vida de dez afro-americanos em 2022 no estado de Nova York

Departamento de Justiça dos EUA pedirá pena de morte para autor de massacre racista
Departamento de Justiça dos EUA pedirá pena de morte para autor de massacre racista
Créditos: Scott Olson/Getty Images/AFP
Apoie Siga-nos no

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou, nesta sexta-feira 12, sua intenção de pedir a pena de morte para o autor de um massacre racista que custou a vida de dez afro-americanos em 2022 no estado de Nova York.

Trata-se de um pedido inédito para a administração do presidente democrata Joe Biden, candidato à reeleição em novembro, que se comprometeu durante sua campanha em 2020 a trabalhar pela abolição da pena de morte a nível federal.

Payton Gendron, de 19 anos, um supremacista branco que tinha 18 anos no momento do crime, foi condenado à prisão perpétua em fevereiro de 2023 pelos tribunais do estado de Nova York após se declarar culpado de assassinatos racistas e atos de terrorismo.

No processo federal iniciado por “crimes racistas”, os promotores indicaram nesta sexta-feira a intenção de buscar a pena de morte para Gendron, justificando a decisão pelo caráter intencional e premeditado do assassinato, bem como por suas motivações racistas.

“A animosidade de Payton Gendron em relação aos negros desempenhou um papel nos assassinatos”, afirmaram os promotores, que também destacaram que ele escolheu o supermercado onde cometeu o massacre “para maximizar o número de vítimas negras”.

Desde o início do mandato de Biden, o Departamento de Justiça solicitou a pena de morte apenas duas vezes, mas em processos iniciados sob seu antecessor republicano Donald Trump.

O secretário de Justiça, Merrick Garland, decretou uma moratória nas execuções federais em maio de 2021.

Em 14 de maio de 2022, após meses de preparação, Payton Gendron foi a um supermercado em Buffalo, perto da fronteira com o Canadá, com equipamento militar, armado com um rifle semiautomático do tipo AR-15 e uma câmera transmitindo ao vivo na internet.

Após avançar metodicamente pelo estacionamento, atirou em clientes e funcionários, deixando dez mortos e três feridos, quase todos negros.

De acordo com documentos judiciais, o jovem havia esboçado seu plano em um “manifesto” racista. Seu objetivo, escreveu, era “matar o maior número possível de negros”.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo