Política
Arquidiocese de São Paulo se diz ‘perplexa’ com CPI que mira o Padre Júlio Lancellotti
‘Reiteramos a importância de que continuem a ser realizadas as obras de misericórdia junto aos mais pobres’, diz a entidade da Igreja Católica
A Arquidiocese de São Paulo disse nesta quarta-feira 3 acompanhar com “perplexidade” as notícias sobre a possível instalação da CPI das ONGs pela Câmara Municipal de São Paulo. Trata-se, na prática, de uma comissão contra o Padre Júlio Lancellotti, o movimento A Craco Resiste e o Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto.
“Na qualidade de Vigário Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua, Padre Júlio exerce o importante trabalho de coordenação, articulação e animação dos vários serviços pastorais voltados ao atendimento, acolhida e cuidado das pessoas em situação de rua na cidade”, reforça a Arquidiocese.
“Reiteramos a importância de que, em nome da Igreja, continuem a ser realizadas as obras de misericórdia junto aos mais pobres e sofredores da sociedade.”
O pedido de abertura da CPI foi protocolado em 6 de dezembro pelo vereador Rubinho Nunes (União), ex-integrante do Movimento Brasil Livre, o MBL. Na atual legislatura, porém, há mais de 40 solicitações de comissões parlamentares, o que torna necessário um acordo para “furar a fila”.
No requerimento, Nunes argumenta que a CPI teria a “finalidade de investigar as Organizações Não Governamentais (ONGs) que fornecem alimentos, utensílios para uso de substâncias ilícitas e tratamento aos grupos de usuários que frequentam a região da Cracolândia”.
Segundo ele, “a atuação dessas ONGs não está isenta de fiscalização, sendo necessária a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), até porque, algumas delas frequentemente recebem financiamento público para realizar suas atividades”.
Em contato com a reportagem de CartaCapital, Júlio Lancellotti questionou o mérito do pedido de instalação do colegiado.
“As CPIS são instrumentos legítimos do Poder Legislativo, que tem toda a autoridade e prerrogativa para implantá-las segundo o ritual de cada esfera do poder”, declarou. “Mas elas têm que ter um fim, um foco específico que, no caso, são as ONGS que prestam assistência à população da Cracolândia. Eu não faço parte de nenhuma ONG. Então, quem tem que ser investigado é o poder público e as ONGs com as quais se estabelece convênios.”
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