Justiça
Quem é Elizeta Ramos, a substituta interina de Aras na PGR
A subprocuradora assumirá o comando do MPF até o novo procurador-geral ser indicado pelo presidente Lula e chancelado pelo Senado
Com o término do mandato de Augusto Aras na Procuradoria-Geral da República, a subprocuradora-geral Elizeta Maria de Paiva Ramos assume interinamente o cargo a partir desta quarta-feira 27, até o novo PGR ser indicado pelo presidente Lula (PT) e chancelado pelo Senado.
Na última segunda-feira 25, o petista destacou não ter pressa e disse ouvir conselheiros sobre a escolha. Dois nomes despontam como favoritos para substituir Aras: Paulo Gonet, vice-procurador-geral eleitoral, e Antônio Carlos Bigonha, subprocurador-geral.
O novo chefe do Ministério Público Federal ficará no cargo pelos próximos dois anos e poderá ser reconduzido. Para assumir a função, o indicado pelo presidente deve ser sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e aprovado pela maioria da Casa Alta.
Entre as atribuições do PGR está a possibilidade de pedir a abertura de inquéritos para investigar o presidente da República, ministros, deputados e senadores.
Elizeta Ramos nasceu no Rio de Janeiro, tem 69 anos e assumiu recentemente a vice-presidência do Conselho Superior do MPF. Por isso, ela pode assumir a função de procuradora-geral em uma espécie de “mandato-tampão”.
Formada pela Faculdade de Direito da Universidade Gama Filho, ela ingressou no MPF em dezembro de 1989, como procuradora da República. Em 2006, ascendeu ao cargo de subprocuradora-geral.
Ramos coordena a Câmara de Controle Externo da Atividade Policial e Sistema Prisional, instância que avalia e fiscaliza atividades das polícias no País. A subprocuradora foi a responsável por pedir explicações à Polícia Rodoviária Federal sobre os bloqueios golpistas nas rodovias após a vitória de Lula na eleição de 2022.
Elizeta Ramos ainda exerceu a função de procuradora eleitoral substituta, foi integrante da Câmara Criminal e coordenadora da Câmara de Direitos Sociais e Fiscalização de Atos Administrativos em Geral.
No fim de 2018, ela foi uma das signatárias de uma nota de apoio à nomeação de Sergio Moro como ministro da Justiça de Jair Bolsonaro.
O documento, assinado por mais de 150 procuradores, listava uma série de elogios ao ex-juiz da Lava Jato, exaltando um suposto e “extraordinário desprendimento pessoal, em benefício do Brasil e dos interesses da sociedade”.
Em 2022, Elizeta reclamou publicamente do serviço de transporte da PGR. Em uma sessão do Conselho Superior, afirmou que deixou de ter um motorista dedicado a ela e que teve de solicitar uma corrida via Uber.
“Será que subprocurador não pode andar de Uber? Claro que pode”, iniciou. “O problema é: nós vamos ficar com um transporte assim? Cada vez que eu pedir um motorista, no dia seguinte vai ser uma dolorosa interrogação? Ele vai ou não? Eu que vou ter que ligar para cá, vou ter que pegar o Uber.”
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Gênero não será critério para escolher substituto de Rosa no STF, indica Lula
Por Wendal Carmo
Brasil foi agraciado com a responsabilidade e a força do silêncio de Aras, diz Toffoli
Por CartaCapital



