Política
Tarcísio reduz orçamento de câmeras corporais da Polícia Militar
Parte dos recursos destinados à implementação foi realocada para ações de polícia ostensiva
O governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) fez mais um corte na verba destinada ao programa de implementação de câmeras em uniformes de agentes da Polícia Militar.
Conforme o Diário Oficial de São Paulo desta sexta-feira 18, 11 milhões de reais do programa serão realocados para ações de polícia ostensiva e diárias da PM.
Até o momento, o governo executou apenas 45 milhões de reais do valor previsto para a ampliação do programa neste ano.
O montante total destinado pela Assembleia Legislativa seria de 152 milhões, mas a dotação foi reduzida pelo Executivo para 136 milhões de reais.
Um levantamento realizado pelo G1 com base na Lei de Acesso à Informação indicou que não houve ampliação do programa entre fevereiro e junho de 2023. Dos 100 mil agentes de segurança do estado, apenas cerca de 10 mil utilizam os dispositivos.
Tarcísio tem sofrido pressão por parte da base bolsonarista para acabar com o programa de câmeras, principalmente após a morte de um agente da Rota no Guarujá, litoral paulista.
O episódio na Baixada Santista gerou a deflagração da Operação Escudo, que deixou 16 mortos em supostos confrontos com a PM. Na maioria das mortes, os agentes não usavam as câmeras. Moradores relatam ter havido execuções durante a ação.
A introdução do uso de câmeras corporais em São Paulo ocorreu em 2019, na gestão do governador João Doria.
Ao contrário do que sugerem Tarcísio e o ex-presidente Jair Bolsonaro, as câmeras não dificultaram o trabalho policial e garantiram uma redução da violência cometida por agentes.
A mortalidade de adolescentes em intervenções policiais caiu 80,1% em São Paulo, em 2022, após a instalação das câmeras, segundo um levantamento conduzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Unicef.
A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Segurança do estado de São Paulo para questionar o corte no programa, mas ainda não obteve resposta. O espaço segue aberto.
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