Justiça

Appio diz ao CNJ que investigava o destino de R$ 3 bilhões da Lava Jato quando foi afastado

O juiz foi retirado do comando dos processos da operação em maio por decisão do TRF-4

Appio diz ao CNJ que investigava o destino de R$ 3 bilhões da Lava Jato quando foi afastado
Appio diz ao CNJ que investigava o destino de R$ 3 bilhões da Lava Jato quando foi afastado
O juiz federal Eduardo Appio. Foto: Divulgação/JF-PR
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O juiz Eduardo Appio, afastado da 13ª Vara Federal de Curitiba (PR) pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, afirmou em depoimento sigiloso ao Conselho Nacional de Justiça que estava investigando o destino de 3,1 bilhões de reais obtidos em acordos de colaboração no âmbito da Lava Jato.

A informação foi revelada pela coluna de Monica Bergamo no jornal Folha de S.Paulo e confirmada por CartaCapital. A oitiva ocorreu no final de maio.

Do montante mencionado, 2,2 bilhões de reais teriam sido transferidos para estatais e órgãos públicos, inclusive do Poder Judiciário. Cerca de 842 milhões ainda estavam no caixa da 13ª Vara da capital paranense em setembro do ano passado, mas em fevereiro de 2023 o saldo já seria de apenas 200 milhões.

Appio teria, então, solicitado o auxílio de funcionários técnicos da 13ª Vara para identificar o caminho percorrido por esses 642 milhões de reais e relatado indícios de que outras Varas foram beneficiadas com parte dos recursos.

Ele teria, ainda, apresentado suspeitas sobre falta de critério na distribuição da maior fatia das verbas, o que demandaria uma investigação mais profunda.

Appio foi retirado do comando dos processo da Lava Jato em maio pelo Conselho do TRF-4. A decisão atendeu a uma representação do desembargador federal Marcelo Malucelli, que afirmou que seu filho, João Eduardo Barreto Malucelli, recebeu uma ligação telefônica com “ameaças”. O TRF-4 teria indícios de que Appio seria o responsável pelo telefonema.

Os advogados de defesa protocolaram, então, um laudo pericial conduzido por Pablo Arantes, professor-adjunto do Laboratório de Fonética do Departamento de Letras na Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo. Segundo ele, não há indícios suficientes para sustentar que seja de Appio a voz registrada no telefonema.

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