Colunas
Fisioterapia
Fiquei conhecendo o Seu Antônio, palmeirense roxo, verde dos pés à cabeça. E conheci Dona Neusa, entre uis e ais, reclamando de dor no joelho
Antes de seguir as bolas cinzas no chão do corredor, pegar a primeira à esquerda, virar à direita e descer as escadas, sempre seguindo as bolas cinzas, nunca poderia imaginar tanta gente quebrada em São Paulo.
Quebrada no sentido braço, perna, joelho, cotovelo, ombro.
Ali, esperando a fisioterapeuta me chamar, sempre com o nome errado de Villas Boas, baixou uma Amélie Poulain em mim e fiquei imaginando:
Quantas pessoas estão gripadas em São Paulo?
Quantas estão com o pé torcido?
Com o dedo cortado?
Com catarata?
Com broncopneumonia?
Sim, chamaram o Alberto Villas Boas e lá fui eu, mesmo não sendo Villas Boas, para a primeira sessão de fisioterapia, que nunca tinha feito antes.
A sala é ampla, tem dez macas e seis cabines para tratamentos específicos, além de uma sala de avaliação.
São quatro fisioterapeutas, todos eles muito simpáticos e competentes.
De repente, me vi diante de um espelho, levantando e abaixando o ombro operado, fazendo vários tipos de exercícios, tipo esquenta.
Já deitado na maca, quase me viraram ao avesso, fazendo exercícios pontuais para o meu pobre ombro voltar ao normal.
Depois de instalar várias placas nele, veio o choquinho, delicioso. Quinze minutos de choquinho, aproveitei para acabar a leitura de Objeto não Identificado, ensaios sobre a obra de Caetano Veloso.
Depois daquele choque, o que viria?
Vieram vinte minutos de gelo no ombro. Ainda bem que mesmo tendo acabado no calendário, o verão continua firme, forte e quente.
O primeiro dia de fisioterapia passou.
Fiquei conhecendo o Seu Antônio, palmeirense roxo, verde dos pés à cabeça. Conheci Dona Neusa, entre uis e ais, reclamando de dor no joelho. Conheci o Amadeu, aquele que respondeu prefiro puro, quando a fisioterapeuta perguntou se queria gelo.
Foi engraçado o primeiro dia de fisioterapia.
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