Política

PGR pede ao STF para investigar Bolsonaro por incitação a atos golpistas

A solicitação se baseia, entre outros indícios, em um vídeo publicado por Bolsonaro em 10 de janeiro, dois dias após as ações terroristas

PGR pede ao STF para investigar Bolsonaro por incitação a atos golpistas
PGR pede ao STF para investigar Bolsonaro por incitação a atos golpistas
Foto: Sergio Lima / AFP
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A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal a inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em um inquérito que apura a instigação dos atos golpistas que levaram a episódios de terrorismo no último domingo 8, em Brasília.

A peça se baseia, entre outros indícios, em um vídeo publicado por Bolsonaro em 10 de janeiro – dois dias após as ações terroristas – com mais uma leva de mentiras sobre o processo eleitoral. O post diz que Lula (PT) não foi escolhido pelo povo, mas “eleito pelo STF e pelo TSE”.

Na avaliação dos procuradores, ele teria cometido incitação pública à prática de crime, conforme o artigo 286 do Código Penal.

Segundo o subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos, coordenador do Grupo Estratégico de Combate aos Atos Antidemocráticos, ainda que a gravação tenha sido publicada após os episódios de violência, as condutas devem ser investigadas.

“Não se nega a existência de conexão probatória entre os fatos contidos na representação e o objeto deste inquérito, mais amplo em extensão. Por tal motivo, justifica-se a apuração global dos atos praticados antes e depois de 8 de janeiro de 2023 pelo representado”, argumenta.

Na quinta-feira 12, um grupo de 79 procuradores encaminhou ao procurador-geral da República, Augusto Aras, uma representação criminal na qual pedia a investigação de Bolsonaro por incitação ao crime.

Os membros do Ministério Público Federal sustentam que o ex-capitão, ao longo de todo o seu mandato na Presidência, lançou dúvidas infundadas contra o sistema eleitoral, por meio de discursos, transmissões nas redes sociais e uma reunião com embaixadores no Palácio do Planalto.

De acordo com o grupo, Bolsonaro também “se engajou” na disseminação de mentiras sobre as instituições do Poder Judiciário responsáveis pela organização da eleição.

A avaliação central é de que as declarações contribuíram para minar a confiança de parte da população “na integridade cívica brasileira”.

“Não por outro motivo suas falas compuseram o rol de motivações de muitos dos quais, ao longo dos últimos meses, alimentados por essas campanhas, praticaram atos violentos e participaram de graves atos antidemocráticos no País.”

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