Economia
A carta do presidente do BC a Haddad para explicar o estouro da meta de inflação em 2022
Campos Neto teve de se justificar porque o IPCA, pelo segundo ano consecutivo, ficou acima da meta, definida em 3,5%
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, publicou nesta terça-feira 10 uma carta aberta dirigida ao ministro da Fazenda e presidente do Conselho Monetário Nacional, Fernando Haddad, para explicar os fatores que levaram a inflação a terminar 2022 em 5,79%.
Campos Neto teve de se justificar porque o IPCA, pelo segundo ano consecutivo, ficou acima da meta, definida em 3,5%. Havia um intervalo de tolerância de até 1,5 ponto.
Para este ano, o centro da meta é de 3,25%, com tolerância de 1,5 ponto.
Entre as razões para o estouro da meta em 2022, o presidente do BC cita inércia da inflação do ano anterior; elevação dos preços de commodities, principalmente do petróleo; desequilíbrios entre demanda e oferta de insumos; choques em preços de alimentação, resultantes de questões climáticas; e retomada na demanda de serviços e no emprego.
Segundo ele, alguns fatores serviram para evitar um estouro ainda mais significativo da meta, a exemplo de redução nos tributos sobre combustíveis, energia elétrica e telecomunicações; comportamento da bandeira de energia elétrica, que passou de escassez hídrica para bandeira verde; e melhora do câmbio.
“A política monetária, que em 2021 já havia passado do estímulo extraordinariamente elevado para o território contracionista, avançou substancialmente no terreno contracionista em 2022”, escreveu Campos Neto.
Trata-se de uma referência à decisão do Comitê de Política Monetária do BC de subir os juros para tentar conter a inflação – a taxa Selic está em 13,75% ao ano, índice mais alto desde novembro de 2016.
“As projeções condicionais do BC são de que a inflação acumulada em quatro trimestres prossiga a trajetória de queda ao longo de 2023, terminando o ano em patamar inferior ao de 2022”, afirmou.
Ainda assim, segundo ele, a inflação encerrará este ano acima da meta mais uma vez, “em virtude principalmente da hipótese do retorno da tributação federal sobre combustíveis nesse ano e dos efeitos inerciais da inflação de 2022”.
Para 2024 e 2025, a projeção mais recente do BC indica a inflação em 3% e em 2,8%, respectivamente. O centro da meta para os dois anos é de 3%.
Leia a íntegra da carta:
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