Política
Lojistas e comerciantes pagarão R$ 10 mil por cada funcionário que sofrer assédio eleitoral, determina Justiça
Decisão liminar foi concedida nesta terça-feira em ação protocolada por centrais sindicais
O Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região decidiu que empresas do ramo do comércio de bens, serviço e turismo paguem multa de R$ 10 mil por cada funcionário que sofrer assédio eleitoral. A liminar foi concedida em uma ação protocolada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e pela União Geral dos Trabalhadores (UGT).
Na decisão , o juiz Antonio Umberto de Souza Junior afirmou que, apesar de que os casos de assédio eleitoral devam ser apurados, é preciso também uma decisão que iniba essa prática.
“Impões tutela inibitória de largo alcance e imediata pra frear, reverter ou no mínimo mitigar tal processo de corrosão coletivas dos direitos fundamentais políticos dos eleitores protagonistas de relações de emprego”, afirmou o magistrado.
Segundo o juiz, os documentos protocolados pelas centrais sindicais apontavam “abundante material informativo indicativo do cenário grave denunciado”. Na sua decisão, concedeu a liminar para que as empresas se abstenham de praticar qualquer atos que atentem à liberdade de voto dos seus empregados e empregadas, e que também não criem obstáculos para o acesso dos autores e demais entidades sindicais para esclarecerem sobre os direitos dos trabalhadores.
A ação foi proposta contra a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A entidade deverá, segundo a decisão, orientar seus filiados sobre a decisão. Além da multa de R$ 10 mil por funcionário, a decisão também estipulou uma multa de R$ 200 mil por dia de descumprimento da ordem e de R$ 50 mil caso impeçam as entidades sindicais de orientarem os funcionários.
Procurada, a CNC disse que não foi notificada sobre a decisão e, portanto, aguarda o acesso aos autos para poder se manifestar.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Senadores protocolam pedido de CPI para investigar casos de assédio eleitoral
Por Victor Ohana
Ministério Público do Trabalho já registra mais de mil casos de assédio eleitoral
Por CartaCapital


