CartaExpressa
Faltam pudor e decência, diz Barbosa sobre visita de Michelle e Damares a venezuelanas
A visita da primeira-dama e da recém-eleita senadora ocorre após repercussão de frase de Bolsonaro sobre ‘pintar um clima’
O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa foi às redes sociais criticar a primeira-dama, Michelle Bolsonaro e a recém-eleita senadora Damares Alves (Republicanos) que se encontraram com duas venezuelanas após a declaração do presidente Jair Bolsonaro (PL) sobre “pintar um clima” repercutir.
“Dá pra ver que falta a essas duas senhoras o mínimo de pudor e de decência, não é mesmo?”, escreveu Barbosa na segunda-feira 17. “Deveriam entender que o simples fato de abordá-las (com o tacape da Presidência da República e a condição de senadora eleita a sinalizarem alguma forma de poder particularmente temível por quem vive precariamente em outro país) pode ser-lhes assustador. Que gente”.
O caso veio à tona após uma entrevista de Bolsonaro a um podcast na sexta-feira 14.
“Eu estava em Brasília, na comunidade de São Sebastião, se eu não me engano, em um sábado, de moto […] Parei a moto em uma esquina, tirei o capacete, e olhei umas menininhas… Três, quatro, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas, num sábado, em uma comunidade, e vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei. ‘Posso entrar na sua casa?’ Entrei. Tinha umas 15, 20 meninas, sábado de manhã, se arrumando, todas venezuelanas. E eu pergunto: meninas bonitinhas de 14, 15 anos, se arrumando no sábado para quê? Ganhar a vida”, afirmou Bolsonaro na ocasião.
Na madrugada do último domingo 16, o presidente promoveu uma live nas redes sociais para se defender. Ele alegou que as declarações sobre o encontro com as meninas venezuelanas foram deturpadas.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.



