Política
Ciro Gomes ‘se perdeu’, diz Requião: ‘Eu admirava o debate, mas isso não é debate’
Candidato ao governo do Paraná pelo PT, o ex-senador diz que não lhe cabe fazer um pedido direto a Ciro, mas defende que democratas se unam em torno de Lula
Instado a comentar sobre o incentivo público de progressistas para que Ciro Gomes desista da candidatura para ajudar Lula a vencer Jair Bolsonaro no primeiro turno, o ex-governador do Paraná Roberto Requião, afirmou que prefere não fazer esse pedido ao pedetista porque estaria decepcionado com a atuação política do antigo aliado.
A declaração do ex-governador foi dada em entrevista ao canal de CartaCapital nesta quinta-feira 22, em uma série de conversas com candidatos promovidas nesta reta final de campanha.
“Eu prefiro esquecer o Ciro nesse momento. Eu admirava o debate, agora isso não é debate. Não tem mais nenhum sentido isso, ele enlouqueceu e deveria tomar remédio”, disse Requião sobre o pedetista. “Maracujina talvez melhorasse, porque está completamente fora da realidade.”
“Achei, até um determinado momento, que a contestação dele aos programas da nossa frente e ao governo anterior do PT eram inteligentes, boas e ajudavam a melhorar o nível de conhecimento político do Brasil”, destacou o ex-governador. “Mas agora parece que não. Ele perdeu completamente a compostura, o tino.”
Segundo ele, Ciro errou ao não fazer críticas ao PT enquanto esteve no governo Lula, como ministro, mas se apresentar agora como ferrenho opositor do petista. “Eu era senador e ele era ministro do Lula. Eu criticava o governo do Lula em algumas coisas e ele não criticava nada. É minha diferença com Ciro”, resumiu.
Requião, que é candidato ao governo do Paraná pelo PT e está em busca do quarto mandato no cargo, diz que não lhe cabe fazer um pedido direto a Ciro para que desista da sua candidatura. Mas reforça, porém, que é um entusiasta da formação de uma frente ampla com qualquer um que defenda a democracia e que apoie Lula neste momento.
“Não estou pedindo para ninguém desistir de nada, só estou dizendo uma coisa: se tem alguma crítica a Lula tudo bem, mas se você é a favor do Brasil, esqueça a crítica e vote com a esperança que temos, para fazer renascer o processo civilizatório”, defendeu Requião.
Ele conta, por exemplo, ter inicialmente se irritado com a nomeação de Geraldo Alckmin como vice e a aproximação de Henrique Meirelles ao entorno de Lula. Diante do atual contexto, contudo, diz não ver mais grandes problemas nestas alianças.
“O Brasil está despolitizado, o que temos nessa reta final é uma espécie de Fla-Flu. É o liberalismo selvagem, a entrega dos trabalhadores ou a possibilidade de retomada da democracia. E aí não há divergência, o projeto básico é tirar esses malucos do comando do País, e o Lula é um instrumento disso.”.
“Se um sujeito que era da direita ou da extrema-direita e hoje apoia o Lula, que maravilha, vamos ganhar a eleição no primeiro turno. É Lula ou essa desgraça e doidice do Guedes”, completou.
Assista à íntegra:
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