Justiça
Partidos acionam o STF contra convocação de PMs pelo governo federal
A liminar seria uma forma de barrar que parte dos agentes apoie eventuais tentativas de golpe de estado
Os partidos PSB, PV, Solidariedade, PCdoB, PSOL e Rede acionaram o Supremo Tribunal Federal na quarta-feira 3 para impedir que o governo federal possa convocar, sem anuência de governadores, as polícias militares estaduais. A intenção da ação, segundo consta no pedido ao tribunal, é barrar dois decretos que versam sobre o tema e que seriam, na interpretação dos partidos, inconstitucionais.
Segundo os advogados que assinam o pedido, a liminar seria uma forma de barrar que parte dos policiais apoie eventuais tentativas de golpe de estado insinuado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores. O grupo ainda cita um texto que defende a convocação direta com base nos decretos, assinado pela Associação dos Militares Estaduais do Brasil (AMEBRASIL) e compartilhado nas redes sociais pelo ex-capitão.
“A pretensão de controle das Forças Armadas pelo Presidente da República toma ares de grande temeridade quando relacionada à questão objeto desta arguição. Conforme exposto inicialmente, grupos isolados de policiais vêm adotando discurso de cunho notadamente golpista e inconstitucional no sentido de rechaçar a subordinação constitucional das polícias militares aos governadores”, diz o documento.
“Diante do exposto, em razão das graves e inconciliáveis incompatibilidades das normas impugnadas com a Constituição Federal de 1988, requer-se seja conhecida, liminarmente, medida cautelar, suspendendo os efeitos dos dispositivos indicados no Decreto-Lei n. 667/1969 e no Decreto n. 88.540/1983”, acrescenta.
No documento enviado ao tribunal, as legendas ainda solicitam que o STF fixe a tese constitucional que “toda e qualquer hipótese de convocação ou mobilização das polícias militares diretamente pelas Forças Armadas ou pelo governo federal” seja considerada inconstitucional se for feita sem a anuência dos governos estaduais.
Para osadvogados, a convocação direta, além de inconstitucional, seria uma ruptura com o pacto federativo, já que nem mesmo a convocação de policiais em caso de ‘guerra externa’, objeto dos decretos, poderia partir unicamente do governo federal, sem anuência dos estados e do Congresso Nacional.
“Longe de representar uma simples faculdade ou discricionariedade do Governo Federal ou de qualquer das Forças Armadas brasileiras, as restritas situações institucionais nas quais o contingente militar é posto em articulação com as polícias militares demandam, em todos os casos, a participação e autorização do Congresso Nacional e, sobretudo, dos Governadores(as) de Estado, a quem estão constitucionalmente subordinadas as forças policiais estaduais”, argumentam os partidos na ação.
A íntegra da ação:
acao-partidos-STF-convocacao-PM-Forcas-Armadas-ago-20222026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Barroso mantém condenação de policiais por atuação no massacre do Carandiru
Por CartaCapital
Polícia apura caso de delegado que promete, de arma na mão, lutar contra esquerda
Por Estadão Conteúdo
E os policiais no plano de golpe de Jair Bolsonaro?
Por Camilo Aggio


