Política
CPI do MEC deve ser instalada só após as eleições, anuncia Pacheco
Randolfe Rodrigues afirmou que, caso não haja leitura do requerimento para a comissão, irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), anunciou nesta terça-feira 5 que, após entendimento com líderes da Casa, a CPI do MEC deve ser instalada após o período eleitoral. De acordo com o parlamentar, o objetivo é ter a “participação de todos os senadores” e evitar “a contaminação das investigações”.
Pelas redes sociais, Pacheco ainda afirmou que haverá comissões para investigar o desmatamento ilegal na Amazônia, o crime organizado e o narcotráfico.
O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), reagiu à posição de Pacheco e confirmou que, caso não haja leitura do requerimento da CPI do MEC até quarta-feira 6, irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal.
“A CPI atende todos os requisitos constitucionais para sua instalação”, escreveu Randolfe. “Não cabe interpretação, de quem quer que seja, da Constituição Federal”.
O pedido para instalação da CPI foi protocolado na semana passada para investigar suspeitas de corrupção na gestão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro. O requerimento conta com a assinatura de 31 senadores, quatro a mais do que o necessário.
Em abril, quando as primeiras denúncias de irregularidades no MEC vieram à tona, a oposição tentou avançar com o pedido de abertura da CPI, mas seus esforços foram atrapalhados pela base governista, que conseguiu retirar assinaturas do requerimento. O caso, porém, ganhou mais força após Milton Ribeiro ser alvo de uma operação da Polícia Federal.
Conversas do ex-ministro interceptadas pela PF indicam que Bolsonaro pode ter avisado Ribeiro da operação. Em uma ligação à filha, o ex-ministro diz que o presidente tinha um “pressentimento” de que poderia haver um mandado de busca e apreensão contra ele.
Em outro áudio, a mulher do ex-ministro, Myrian Ribeiro, conta que ele já estava sabendo da operação. A conversa foi gravada no dia da prisão de Ribeiro.
A instalação da CPI do MEC, como noticiou CartaCapital, não é unanimidade entre senadores de oposição. A avaliação de ao menos um signatário do documento é que de que uma comissão em ano eleitoral tem poucas chances de se viabilizar aos moldes do que ocorreu em 2021, com a da Covid-19.
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