Política
Os gastos de Bolsonaro com refeições em voos, segundo deputado
‘O presidente diz que é simples, come macarrão instantâneo e leite condensado, mas a realidade é outra’, diz Elias Vaz
Um levantamento realizado pelo deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) revelou que o presidente Jair Bolsonaro (PL) gastou quase de 2,6 milhões de reais em refeições, lanches e bebidas durante voos desde que assumiu o cargo. O parlamentar pedirá auditoria do Tribunal de Contas da União sobre os valores.
“O presidente diz que é simples, come macarrão instantâneo e leite condensado, mas a realidade é outra. É dinheiro público pagando a conta dos luxos em plena crise. É vergonhoso”, destaca Vaz ao denunciar os gastos.
De acordo com a planilha, que tem como base os pagamentos do contrato do governo federal com a empresa Meal Company Alimentação S/A, só em 2019 Bolsonaro gastou mais de 850 mil reais durante os voos no avião presidencial. Em 2020, o valor supera 656 mil de reais, saltando para 890 mil reais no ano seguinte. Neste ano, em apenas três meses, o presidente os valores chegam a 203 mil reais.
De acordo com o deputado, o contrato foi firmado em 2018 e, desde então, sofre sucessivas prorrogações. A licitação com a Meal Company prevê o fornecimento de refeições prontas, como almoço, jantar e café da manhã, além de bebidas, lanches e petiscos, como castanhas, barras de cereais e frios. Há ainda a previsão para o fornecimento de frutas, doces e gelo ao ex-capitão.
“Esse tipo de serviço não é pago com o cartão corporativo, uma vez que a empresa mantém relação contratual por meio de licitação realizada pela presidência”, explica o parlamentar. “Vamos solicitar à presidência da República a documentação detalhada desses gastos, com apresentação de notas fiscais. A sociedade tem o direito de saber o que está pagando para o Bolsonaro”, acrescenta o deputado.
Segundo informou, Vaz ainda vai apresentar na Câmara dos Deputados um pedido de auditoria do TCU sobre os itens comprados por Bolsonaro desde 2019.
As viagens de Bolsonaro têm sido alvo de suspeitas, já que parte dos gastos é coberto com o cartão corporativo da Presidência, colocado em sigilo pela atual gestão. No TCU, já há ao menos dois processos contra o ex-capitão. Em uma conversa recente com apoiadores no cercadinho em frente ao Alvorada, Bolsonaro chegou a afirmar que chega a gastar ‘uns 300 mil’ nos seus deslocamentos pelo País.
Faltando um ano para o fim de sua gestão, Bolsonaro já gastou 29,6 milhões de reais, montante cerca de 19% superior ao registrado pela ex-presidenta Dilma Rousseff e por Michel Temer entre 2015 e 2018, conforme revelou o jornal O Globo.
Somente em 2021, as despesas chegaram a 11,8 milhões de reais, o maior valor dos últimos sete anos. Em dezembro, os cartões exclusivos da família presidencial foram usados em compras que somaram 1,5 milhão de reais, valor mais elevado para um único mês dos três anos da atual administração.
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