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Em conferência de jovens pelo clima, Greta Thunberg critica “blá blá blá” de líderes mundiais

‘É tempo que nossos dirigentes parem de falar e comecem a agir’, defendeu a jovem ativista sueca

Em conferência de jovens pelo clima, Greta Thunberg critica “blá blá blá” de líderes mundiais
Em conferência de jovens pelo clima, Greta Thunberg critica “blá blá blá” de líderes mundiais
Greta Thunberg Foto: MIGUEL MEDINA / AFP
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“Chega de promessas bonitas, palavras vazias.” Os embaixadores da juventude pediram nesta terça-feira 28 aos líderes do mundo que “despertem” e levem a sério a crise climática, a um mês da 26ª Conferência sobre o Clima da ONU.

“É tudo que escutamos da parte de nossos ditos dirigentes: palavras. Palavras que soam bem, mas que não levam a nenhuma ação. Nossas esperanças e nossos sonhos afogados em suas palavras e suas promessas vazias”, disse a militante sueca Greta Thunberg entre aplausos de jovens do mundo inteiro, reunidos em Milão para a conferência Youth4Climate: driving ambition.

“Não existe plano B, e não há planeta blá blá blá, economia verde blá blá blá, neutralidade carbono em 2050 blá blá blá”, acrescentou denunciando “trinta anos de blá blá blá” dos dirigentes do mundo e a “traição das gerações atuais e futuras”.

Os 400 jovens com idades entre 15 e 29 anos, vindos de 200 países e selecionados pela ONU entre quase 9.000 candidaturas, estão reunidos até quinta-feira 30 para elaborar uma visão comum da crise climática e das ações prioritárias a serem realizadas.

A declaração final da conferência será submetida a cerca de 50 ministros reunidos para preparar a COP26 de novembro, em Glasgow.

“Eu escuto vocês (…) Nós queremos escutar suas ideias criativas e ambiciosas”, disse o presidente britânico da COP26, Alok Sharma, em um vídeo. “No começo do mês, uma pesquisa com jovens mostrou que mais da metade deles têm medo de que a humanidade esteja condenada. Francamente, eu sinto vergonha por minha geração”, acrescentou.

“Mas hoje, os dirigentes mundiais têm a ocasião de se corrigir, de se comprometer de maneira ambiciosa”, acrescentou, referindo-se ao objetivo ideal do Acordo de Paris de limitar o aumento das temperaturas da terra a 1,5°C em relação à era pré-industrial.

Palavras vazias

Mas não é certo que a juventude seja convencida por estas palavras. “Eles convidam os jovens escolhidos a reuniões como esta e fingem nos escutar, mas não é verdade, eles não nos escutam, eles nunca escutaram”, respondeu Thunberg na abertura da conferência.

“Já é tempo que nossos dirigentes acordem, é tempo que nossos dirigentes parem de falar e comecem a agir, é tempo para os poluidores pagarem, é tempo de cumprirem as promessas”, disse a militante de Uganda Vanessa Nakate, citando os “sofrimentos” enfrentados pela África, Ásia e no Pacífico pelos povos menos responsáveis pelo aquecimento global. “Já é hora, já é hora, já é hora. E não esqueçam de escutar os que são mais vulneráveis”, repetiu ela.

Enquanto as catástrofes climáticas aumentam, os compromissos dos Estados não estão sempre a altura para respeitar os objetivos do Acordo de Paris de limitar o aumento das temperaturas da Terra. Segundo a última avaliação da ONU publicada em setembro, o mundo se dirige para um aquecimento “catastrófico” de 2,7°C.

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