Política
Caso Odebrecht: MP pede suspensão de pagamentos a empresa norte-americana que contratou Moro
Segundo o subprocurador-geral Lucas Furtado, medida deve valer até que se avalie o papel do ex-juiz na ruína econômica da empreiteira
O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, Lucas Furtado, solicitou que o TCU determine a suspensão de “qualquer pagamento à empresa Alvarez & Marsal, no âmbito da recuperação judicial da empresa Odebrecht S.A“.
A medida, revelada pelo jornal Folha de S.Paulo, deve valer até o tribunal concluir uma avaliação sobre a atuação do ex-juiz Sergio Moro na deterioração financeira da empreiteira brasileira.
Segundo Furtado, “na qualidade de juiz, a atuação do Sr. Sérgio Moro, seja nas decisões proferidas nos processos judiciais, seja nas exigências contidas nos acordos de leniência [que ele firmou com a Odebrecht], pode ter contribuído para a situação de insolvência da empresa”.
O subprocurador-geral ainda aponta “risco de conflito de interesses que pode surgir quando o mesmo agente [Moro], em um primeiro momento, atua em processo judicial que interfere no desempenho econômico e financeiro da empresa e, em em um segundo momento, aufere renda, ainda que indiretamente, com o processo de recuperação judicial para o qual seus atos podem ser contribuído”.
No fim de 2020, Moro foi contratado pela norte-americana Alvarez & Marsal. A consultoria, especializada em processos de recuperação judicial, presta serviços à Odebrecht, um dos principais alvos da Operação Lava Jato e, por consequência, do ex-juiz Sergio Moro.
A empresa norte-americana trabalha como administradora judicial da Odebrecht desde que a empreiteira entrou com um pedido de recuperação judicial. Em dezembro, Moro afirmou que sua contratação não o afasta de uma suposta agenda anticorrupção.
“As empresas não precisam esperar o Congresso ou o governo para dizer o que precisa ser feito. A minha ida para uma empresa como a Alvarez & Marsal segue a linha do que eu sempre defendi, que é importante nós adotarmos políticas de integridade e anticorrupção. Não há nenhum demérito em relação a se trabalhar por esses objetivos no setor público”, disse na ocasião ao jornal O Estado de S. Paulo.
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