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Manifestação pela morte de João Alberto termina em confronto com policiais

‘O Carrefour é assassino’, gritavam participantes do protesto contra o racismo

Manifestação pela morte de João Alberto termina em confronto com policiais
Manifestação pela morte de João Alberto termina em confronto com policiais
Manifestantes acusam rede de hipermercados de racismo. Foto: SILVIO AVILA/AFP
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Centenas de pessoas marcharam novamente na segunda-feira 23, em Porto Alegre, para protestar contra a morte violenta de um homem negro pelas mãos de guardas de um supermercado Carrefour, em um dia que terminou com confrontos entre um grupo de manifestantes e a polícia, que usou bombas lacrimogêneas para dispersar o grupo.

“Vidas negras importam, pare de nos matar”, diziam cartazes e camisetas contra o racismo usados por manifestantes, que pelo quarto dia consecutivo marcharam na capital gaúcha para condenar a morte brutal de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, na noite de quinta-feira.

Uma passeata pacífica chegou a ocupar uma avenida, interrompendo o trânsito, em frente a uma agência do Carrefour – na zona leste de Porto Alegre – onde várias dezenas de uniformizados foram posicionados para proteger o supermercado.

“O Carrefour é assassino, o Carrefour é assassino”, gritavam os participantes da manifestação, enquanto outros perguntavam sob a faixa “Justiça por Beto”, apelido da vítima.

Após cerca de três horas de mobilização, um pequeno grupo de manifestantes tentou destruir as proximidades do supermercado e atirou pedras e fogos de artifício contra a polícia, que dispersou os manifestantes com gás lacrimogêneo e balas de borracha, apurou a AFP. Não houve feridos.

O assassinato de João Beto chocou o Brasil, após a divulgação de um vídeo em que este homem negro é espancado por um segurança no estacionamento do supermercado enquanto o outro o segurava.

De acordo com os primeiros elementos da investigação, o homem foi brutalmente espancado por mais de cinco minutos antes de ser imobilizado por seus agressores e sufocado até a morte.

A morte de João Beto, que foi enterrado no domingo, também mobilizou centenas de pessoas em outras cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, principalmente entre sexta e domingo.

O CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, expressou suas condolências no Twitter na sexta-feira após esse “ato horrível” e considerou as imagens “insuportáveis”.

Solicitou também “uma revisão completa das ações de formação de colaboradores e terceirizados em questões de segurança, respeito à diversidade e valores de respeito e repúdio à intolerância”.

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