Sociedade
Delegada nega racismo em morte de João Alberto no Carrefour
‘Não temos nenhum indicativo por essa motivação’, disse Roberta Bertoldo; laudo aponta morte por asfixia
A delegada responsável pela investigação da morte de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, por dois seguranças em uma loja da rede Carrefour em Porto Alegre (RS), disse nesta sexta-feira 20 que o episódio não se trata de racismo.
“Até este momento, não deslumbramos nada de cunho racial. Não temos nenhum indicativo por essa motivação”, disse Roberta Bertoldo, da 2ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Porto Alegre, ao Estadão.
Bertoldo recebeu nesta sexta médicos legistas para oficializar as causas da morte de João Alberto. “O maior indicativo da necropsia é de que ele foi morto por asfixia, pois ele ficou no chão enquanto os dois seguranças pressionavam e comprimiam o corpo de João Alberto, dificultando a respiração dele. Ele não conseguia mais fazer o movimento para respirar”, declarou a delegada.
CartaCapital procurou a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, mas ainda não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestação.
Mais cedo, o vice-presidente Hamilton Mourão disse que o episódio foi “lamentável”, mas negou que tenha havido racismo. Para ele, não existe racismo no Brasil.
“Não. Para mim, no Brasil não existe racismo. Isso é uma coisa que querem importar aqui para o Brasil, não existe aqui”, declarou. “Eu digo para você com toda tranquilidade: não tem racismo. Eu digo isso para vocês porque eu morei nos Estados Unidos. Racismo tem lá. Eu morei dois anos nos Estados Unidos. Na minha escola, que eu morei lá, o pessoal de cor, ele andava separado. Eu nunca tinha visto isso aqui no Brasil”, disse ainda Mourão.
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