Os navios fantasmas da Guanabara

Na Baía de Guanabara, navios abandonados atrapalham a navegação, poluem as águas e prejudicam a vida das populações tradicionais

Um mapeamento da Capitania dos Portos do Rio de Janeiro e da Universidade Federal Fluminense (UFF) revelou a existência de pelo menos 80 embarcações abandonadas na região leste da baía de Guanabara, entre os municípios de Niterói e São Gonçalo. O cemitério de navios, composto por pequenos barcos de pesca até gigantes de ferro, prejudica a vida das comunidades de pescadores do entorno e contribui para a poluição das águas. “Os peixes sumiram. A baía sempre foi um berçário para os peixes”, diz Moacyr Garcia, 67 anos, liderança entre os pescadores da Ilha da Conceição, em Niterói. “Hoje muitos peixes estão em extinção dentro da baía por causa da poluição. Já há alguns municípios fazendo tratamento de esgoto, mas muitos ainda não estão, e o esgoto vai todo para a baía”, lamenta.

“Dentro dessas embarcações abandonadas tem óleo, verniz, combustível. Tudo isso vaza para a baía”, destaca Sérgio Ricardo de Lima, coordenador do movimento Baía Viva.

Agora, existe uma nova esperança de que o problema seja solucionado: após uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal, o governo do Rio de Janeiro formou, em dezembro, um comitê para coordenar a remoção das carcaças. A promessa é que os trabalhos tenham início em agosto. Saiba mais na reportagem de Mauricio Thuswohl.

Cacá Melo

Cacá Melo
Produtor audiovisual em CartaCapital

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