Aderimos ao boicote: Mandem seus clássicos russos para nossa central de ‘descarte’
No embalo das sanções econômicas, grupos atacam obras de origem russa
Neste episódio, Rodrigo Martins comenta o boicote do Ocidente à cultura russa. No embalo das sanções econômicas impostas pelos EUA e seus aliados na Otan, a iluminada turminha que enxerga em Putin a figura de um Anticristo resolveu apoiar os cruzados ao seu modo, com um embargo cultural. Criaram até um Index Prohibitorum de músicas, livros, peças teatrais e espetáculos de dança que precisam ser banidos, em nome dos bons costumes ocidentais.
O Brasil, claro, não poderia ficar de fora desse vexame. No Rio de Janeiro, um bar na Lapa rebatizou o drinque “Moscou Mule” para “Kiev Mule” e abandonou as vodcas russas. Já em São Paulo, um restaurante bastante frequentado por turistas retirou o estrogonofe do cardápio. Também na capital paulista, o vereador Fernando Holiday, uma cria do MBL, sempre em busca dos holofotes, quer mudar o nome da Rua Rússia, no bairro dos Jardins, para Rua Ucrânia.
E como nós, do Manda no Zap, tememos arder na fogueira dos cruzados ocidentais, resolvemos aderir ao boicote. Criamos até uma central de descarte de clássicos da literatura russa. Se você pretende se desfazer daquele Tolstói que comprou para enfeitar a prateleira ou de algum Dostoievski inerte na estante, pode despachar para a redação de CartaCapital que daremos a destinação merecida.
O programa também aborda as fake news mais caricatas da semana, como a intrigante história de um navio “espião” russo que estaria rondando a costa brasileira ou o apelo de jovem manifestante da Ucrânia para que Zelenski se espelhe em Bolsonaro. Já o deputado Arthur do Val, o Mamãe Falei do MBL, caiu em uma trolagem da internet e está se borrando de medo das supostas ameaças feitas por um grupo extremista russo após o vazamento do áudio no qual diz que as mulheres ucranianas são fáceis, porque são pobres.
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