‘A esquerda precisa falar do futuro’, diz o historiador Rui Tavares
Sergio Lirio entrevisa o historiador e deputado pelo partido ‘Livre’ de Portugal
O avanço da extrema-direita deve ser combatido não só com utopias, mas com mudanças práticas concretas na vida dos cidadãos, defende Rui Tavares, historiador e líder do Livre, partido em ascensão da nova esquerda portuguesa. “Pequenos avanços servem de exemplo didático para as grandes transformações” que a esquerda em particular e o campo progressista e democrático, de modo geral, propõem aos eleitores. “Não dá para chegar ao poder e começar a dizer que tudo é muito complexo. É preciso ser visto a lutar por aquilo que se prometeu”, mesmo se forças superiores impedirem, mesmo que se seja derrotado.
Intelectual refinado e atento, Tavares acaba de lançar no Brasil, pela editora Tinta-da-China, “Hipocritões e Olhigarcas”, uma breve e instigante viagem pela história das guerras culturais ao longo do tempo, suas causas e instrumentos. Hipocritões e olhigarcas são os monstros mitológicos da modernidade. Entre os primeiros estão figuras como Donald Trump e Benjamin Netanyahu, à frente de um ataque ao Irã que só atende às suas conveniências. No outro, perfilam-se os magnatas das Big Techs, os oligarcas dos “nossos olhos” que transformaram os usuários das plataformas digitais em produto. Juntos, hipocritões e olhigarcas, extremistas e monopolistas da tecnologia, conduzem, como em outros momentos do passado, uma guerra cultural contra valores básicos. Na entrevista, Tavares analisa ainda o papel da Europa, os riscos da falta de controle público do desenvolvimento da Inteligência Artificial, o estilo do presidente Lula e a maneira como a esquerda lida com identidade e religião.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
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