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Vidros que geram energia podem mudar fachadas? O que a Coreia do Sul está desenvolvendo para prédios
Os prédios envidraçados fazem o desenho dos grandes centros urbanos. As chamadas peles de vidro estão incorporadas à paisagem. E, além do aspecto visual, muitas delas são fonte de captação de energia, redução de gastos com eletricidade e otimização do uso de equipamentos de conforto […]
Os prédios envidraçados fazem o desenho dos grandes centros urbanos. As chamadas peles de vidro estão incorporadas à paisagem. E, além do aspecto visual, muitas delas são fonte de captação de energia, redução de gastos com eletricidade e otimização do uso de equipamentos de conforto térmico. A nova geração de janelas solares transparentes tenta acrescentar outra camada a esse pacote: gerar eletricidade sem transformar o edifício em uma usina visualmente pesada.
Na Coreia do Sul, pesquisas de universidades e institutos como Korea University, UNIST e KIST avançam em pesquisas para utilizar o melhor do material, a sua transparência, com a possibilidade de usos ambientalmente corretos. Os protótipos desenvolvidos avançam e os resultados de pesquisa já mostram impactos relevantes para a arquitetura e para a construção civil.
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O que foi desenvolvido na Coreia do Sul
Um dos resultados mais recentes veio de um grupo liderado pela Korea University, com participação da Korea Aerospace University e do KIST. O grupo apresentou uma “janela solar híbrida” capaz de gerar energia com luz solar durante o dia e também com iluminação interna à noite. O sistema atingiu transmitância visível de 75,6%, número alto para esse tipo de solução, e índice de reprodução de cor de 93,8, o que indica baixa distorção das cores vistas através do vidro. A pesquisa foi publicada na revista Joule no fim de 2025.
Na UNIST, outro avanço chamou atenção em 2024. A universidade anunciou células solares transparentes de silício com desenho all-back-contact, em que todos os contatos elétricos ficam na parte traseira. Esse arranjo reduz a interferência visual na frente do painel e ajuda a preservar a aparência do vidro. Segundo a própria UNIST, as células alcançam pico de eficiência de 15,8% com transmitância visível média de 20%, e os módulos transparentes chegam a 14,7% de eficiência, além de demonstrarem carregamento de um smartphone por luz natural.
Como essa tecnologia funciona
A lógica é diferente da de um painel solar tradicional opaco. Em vez de absorver indiscriminadamente a luz visível, essas janelas tentam aproveitar principalmente faixas menos perceptíveis ao olho humano, como parte do infravermelho e do ultravioleta, deixando passar a maior parte da luz útil para a visão. No caso da Korea University, a solução combinou um refletor seletivo do tipo Bragg com célula bifacial de silício. Esse refletor deixa a luz visível atravessar o vidro, mas redireciona parte da luz infravermelha para a célula solar, elevando a geração sem escurecer tanto a fachada.
A inovação está dentro de uma categoria de pesquisas denominada BIPV, sigla para building-integrated photovoltaics, ou fotovoltaica integrada à construção. Ao contrário de adicionar um painel sobre o prédio, o próprio componente construtivo passa a gerar energia. Essa alteração de conceito interessa muito para arquitetos e incorporadoras porque mexe menos com a linguagem formal da fachada e mais com a função do material.
Arquitetura se beneficia
A primeira vantagem é o aproveitamento da pele do edifício. Em torres comerciais, residenciais de alto padrão, hotéis, hospitais e edifícios corporativos, a área de vidro pode ser enorme. Quando essa superfície passa a produzir parte da energia consumida no próprio prédio, a fachada deixa de ser apenas fechada e vira também infraestrutura energética. Ela não elimina a necessidade de outras fontes, mas amplia o potencial de geração distribuída no local de consumo.
A segunda vantagem é estética. Painéis solares convencionais costumam impor cor, espessura e desenho próprios. Já os protótipos coreanos tentam manter a aparência próxima à de uma janela comum. No caso da Korea University, o CRI de 93,8 indica reprodução de cor próxima à de um vidro funcional de boa qualidade, algo importante para fachadas envidraçadas, áreas internas de permanência e projetos em que a neutralidade visual pesa tanto quanto o desempenho.
A terceira vantagem é urbanística e energética. Fachadas que geram eletricidade podem ajudar a reduzir a carga da rede em edifícios intensivos em uso diurno, especialmente quando combinadas a estratégias de eficiência, automação predial e armazenamento. No caso do projeto da Korea University, a capacidade de captar também parte da iluminação interna à noite foi apresentada como um diferencial para prédios de uso prolongado, como escritórios, centros comerciais e ambientes com operação estendida.
Onde estão os limites
Ainda há barreiras claras. Transparência alta costuma reduzir a eficiência energética. Já quando a eficiência sobe, o vidro tende a ficar mais escurecido ou menos neutro. O trabalho da Korea University atacou esse dilema com foco em conforto visual e captação híbrida. O da UNIST foi por outro caminho, priorizando um módulo transparente de silício com contatos escondidos e melhor modularização. Em ambos os casos, o avanço é relevante, mas ainda está no terreno de protótipos e demonstrações, não de adoção ampla na construção civil comum.
Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec
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