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Três Visões, um Futuro: A24, Disney, Netflix e a guerra pela alma do cinema na era da IA

Enquanto o Google investe em curadoria e a Disney queima US$ 1 bilhão, Ben Affleck mostra a Hollywood que o caminho da IA pode ser outro

Três Visões, um Futuro: A24, Disney, Netflix e a guerra pela alma do cinema na era da IA
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O ano de 2026 será lembrado como o momento em que Hollywood deixou de ser plateia e entrou no ringue da inteligência artificial. Em menos de seis meses, três movimentos distintos traçaram um mapa da tensão criativa que define a indústria.

De um lado, o Google DeepMind anuncia uma parceria com o estúdio independente A24 para criar ferramentas de IA que “não se parecerão em nada com o tipo de IA generativa gerada por comandos”. Do outro, a Disney tenta apagar o rastro de um acordo de US$ 1 bilhão com a OpenAI que azedou em três meses. E, no meio do ringue, Ben Affleck vende sua startup de IA, a InterPositive, para a Netflix por até US$ 600 milhões — com a promessa de que a tecnologia, desta vez, virou aliada dos cineastas.

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Vamos começar pelo naufrágio mais espetacular. Em dezembro de 2025, a Disney anunciou um acordo que parecia o futuro do entretenimento: US$ 1 bilhão em investimento na OpenAI, tornando-se a primeira grande parceira de licenciamento de conteúdo do Sora, a plataforma de geração de vídeo por inteligência artificial. Fãs poderiam criar vídeos com Mickey, Elsa da Frozen e os heróis da Marvel, sob “diretrizes rigorosas de segurança”.

O Vale do Silício, no entanto, tem o hábito de “mover rápido e quebrar coisas”. Em três meses, o Sora foi descontinuado, a Disney correu para cancelar o acordo e ficou com um prejuízo bilionário de imagem.

Jogada do A24: alfaiataria digital

O contraste com a abordagem do Google DeepMind não poderia ser maior. Ao escolher o A24 — o estúdio indie mais respeitado do planeta do momento, casa de Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo, Hereditário e A Baleia — o DeepMind fez uma aposta em curadoria, não em escala.

O A24 construiu sua reputação confiando no instinto humano, em filmes que desafiam métricas de mercado, com baixo orçamento e grandes histórias. O Google, ao se associar a eles, sinaliza que entendeu a lição: tecnologia só vale a pena quando serve à arte, e não o contrário. Uma das aplicações, por exemplo, seria a geração de storyboards.

Caminho do meio: a InterPositive de Ben Affleck

Mas talvez o movimento mais revelador dos três tenha vindo de onde menos se esperava: de dentro do próprio cinema. Ben Affleck, vencedor do Oscar de melhor roteiro por Gênio Indomável e diretor de Argo e The Town, fundou em 2022 a InterPositive, uma empresa de tecnologia focada em desenvolver ferramentas de IA feitas por cineastas para cineastas. Em março de 2026, a Netflix a adquiriu por até US$ 600 milhões.

A diferença fundamental da InterPositive para os outros projetos é que ela não gera conteúdo do zero. Ela não cria vídeos a partir de prompts. Suas ferramentas atuam na produção: otimização de efeitos visuais (com promessa de corte de 50% nos custos), agilização de tarefas repetitivas de pós-produção e automação de processos burocráticos que consomem tempo criativo.

A Netflix, por sua vez, fez questão de alinhar a aquisição ao seu discurso de que “a inovação deve capacitar os contadores de histórias, não substituí-los”. A mensagem é clara: no ringue da IA, a Netflix aposta em eficiência invisível — tecnologia que acelera o processo sem aparecer na tela.

Pra fechar!

A pergunta que une os três movimentos é a mesma: o que a IA busca ao se aproximar do cinema? A resposta, como mostram os três casos, não é técnica — é existencial. A IA busca validação cultural. Precisa provar que pode ser parceira da criatividade humana, não sua substituta. A Disney tentou o atalho da escala e queimou US$ 1 bilhão em reputação. O A24 e o Google apostam na lentidão artesanal. A Netflix e Ben Affleck, no pragmatismo silencioso.

A provocação para esta semana é: de que lado você estará quando o algoritmo pedir para entrar no set de filmagem da sua vida? Porque, como mostram estas três histórias, a tecnologia nunca é neutra — ela carrega a assinatura de quem a controla.

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