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Por que BYD, Geely e Changan cooperam em tecnologias para elétricos?
Montadoras chinesas continuam concorrendo nas lojas, mas participam de projetos conjuntos para acelerar avanços em baterias, recarga rápida, software e chassis inteligentes
BYD, Geely e Changan disputam compradores, participação de mercado e liderança tecnológica na indústria de carros elétricos. Fora das concessionárias, porém, essas concorrentes também participam de projetos coletivos de pesquisa e desenvolvimento. A cooperação envolve universidades, institutos científicos, fabricantes de componentes e outras empresas da cadeia automotiva chinesa.
O ToqueTec explica por que montadoras rivais compartilham parte das pesquisas, o que elas pretendem alcançar e como essa estratégia pode beneficiar quem compra um carro elétrico ou híbrido.
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Por que empresas concorrentes trabalham juntas?
A colaboração não significa que BYD, Geely e Changan tenham deixado de disputar o mercado nem que pretendam produzir carros iguais. O objetivo é dividir esforços em pesquisas fundamentais, especialmente nas áreas que exigem grandes investimentos, equipes multidisciplinares e muitos anos de testes.
Documentos associados aos prêmios estatais de ciência e tecnologia da China mostram a participação dessas empresas em projetos relacionados a baterias de alta segurança, sistemas de gerenciamento térmico, soldagem de precisão e chassis elétricos inteligentes. Os trabalhos também incluem universidades como a Tsinghua, centros de engenharia e fornecedores de baterias e componentes.
Cada participante contribui com conhecimentos específicos. Uma universidade pode desenvolver modelos de simulação, enquanto fornecedores trabalham com células e sensores. As montadoras, por sua vez, testam as soluções nos veículos e avaliam se elas podem ser produzidas em larga escala.
Para as empresas, esse modelo reduz a duplicação de pesquisas, dilui custos e encurta o caminho entre uma descoberta de laboratório e sua aplicação industrial. Também ajuda a formar profissionais especializados e fortalece a cadeia de fornecedores da China.
Baterias mais seguras e recargas mais rápidas
Uma das prioridades é aperfeiçoar o sistema de gerenciamento da bateria, conhecido como BMS. Esse conjunto de sensores, circuitos e programas acompanha temperatura, corrente elétrica, tensão e nível de carga. Quando identifica um comportamento fora do padrão, pode reduzir a potência, ativar o sistema de refrigeração ou interromper a recarga.
O gerenciamento térmico tornou-se ainda mais importante com o avanço das recargas ultrarrápidas. Quanto maior a potência recebida pela bateria, maior tende a ser a geração de calor. Se a temperatura não for controlada, aumentam os riscos de desgaste precoce, perda de autonomia e falhas de segurança.
As pesquisas procuram ampliar a quantidade e a precisão das medições, antecipar o acionamento do resfriamento e distribuir melhor a temperatura entre as células. Para o motorista, isso pode representar recargas mais rápidas, menor degradação da bateria e desempenho mais estável em diferentes condições climáticas.
O desenvolvimento conjunto de regras de controle não significa que as baterias serão fisicamente unificadas. Cada fabricante preserva tecnologias estratégicas, como a química das células, o formato dos módulos, a integração com a carroceria e os métodos industriais. A BYD, por exemplo, mantém a arquitetura de suas baterias Blade, enquanto as concorrentes desenvolvem soluções próprias.
O que as montadoras buscam com padrões comuns
Além da redução de custos, as empresas querem criar referências técnicas que possam orientar fornecedores, fabricantes de carregadores e órgãos reguladores. Padrões comuns facilitam a comunicação entre bateria, motor, sistema de recarga e central eletrônica do veículo.
Essa compatibilidade é importante para ampliar a infraestrutura de carregamento. Um posto precisa reconhecer o limite de potência do automóvel, acompanhar a temperatura e ajustar a energia fornecida sem comprometer a segurança. Quanto mais claros forem os protocolos, mais simples será instalar carregadores capazes de atender veículos de marcas diferentes.
Outro interesse está no desenvolvimento de chassis elétricos inteligentes. Nessa arquitetura, freios, suspensão, direção, motores e sistemas de estabilidade podem ser coordenados por uma central eletrônica. O veículo passa a responder de maneira integrada a curvas, mudanças no piso e emergências.
Os trabalhos reconhecidos pelos prêmios chineses incluem avanços em controle eletrônico, soldagem estrutural e integração entre componentes. A cooperação cria uma base de conhecimento comum, mas cada empresa decide como transformar os resultados em produtos comerciais.
Quais são as vantagens para os consumidores?
O primeiro benefício esperado é a segurança. Sensores mais precisos e programas capazes de reagir rapidamente a alterações de temperatura ajudam a reduzir falhas durante o uso e a recarga. A evolução dos sistemas de diagnóstico também permite identificar problemas antes que eles provoquem danos maiores.
O segundo ganho está no tempo de carregamento. Baterias que aceitam potências elevadas sem aquecimento excessivo podem diminuir a duração das paradas em viagens. A tecnologia, contudo, depende de carregadores compatíveis e de uma rede elétrica preparada para fornecer essa potência.
A terceira vantagem é a possível redução de custos. Quando fabricantes compartilham pesquisas básicas e adotam interfaces semelhantes, fornecedores conseguem produzir componentes em maior escala. Isso pode baratear sensores, módulos eletrônicos e equipamentos de recarga. A economia não chega automaticamente ao preço final, mas aumenta o espaço para carros mais competitivos.
Também podem surgir benefícios na manutenção. Sistemas padronizados de diagnóstico facilitam a identificação de defeitos, enquanto uma cadeia ampla de fornecedores reduz a dependência de componentes exclusivos. Ainda assim, reparos e atualizações continuarão sujeitos às políticas de cada montadora.
A cooperação entre rivais mostra que a competição na mobilidade elétrica não acontece apenas pela posse isolada de uma tecnologia. BYD, Geely e Changan procuram construir uma base industrial mais segura e eficiente, mas preservam as soluções que diferenciam seus veículos. Para os consumidores, essa combinação entre pesquisa compartilhada e concorrência comercial pode acelerar a chegada de carros elétricos mais seguros, duráveis, acessíveis e rápidos de recarregar.
Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec
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