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iFood e drones: como funciona a entrega pelo céu
O iFood começou a testar entregas por drones no Brasil. A empresa descreve o projeto como logística multimodal: o voo é apenas um pedaço da operação. O objetivo é ganhar tempo e previsibilidade em rotas com gargalo, como travessias sobre rios, áreas com trânsito concentrado […]
O iFood começou a testar entregas por drones no Brasil. A empresa descreve o projeto como logística multimodal: o voo é apenas um pedaço da operação. O objetivo é ganhar tempo e previsibilidade em rotas com gargalo, como travessias sobre rios, áreas com trânsito concentrado e deslocamentos em que a moto perde eficiência. ToqueTec conta que vai funcionar a entrega que vem do céu.
Como a entrega opera na prática
O fluxo começa com a triagem do pedido: peso, embalagem e segurança. Depois, o item segue para um “drone porto”, área delimitada para decolagem e pouso. O drone faz a travessia até outro ponto seguro, e ali ocorre a transferência para um entregador, que leva até a casa do cliente. Esse desenho resolve um problema central: drones são bons em linha reta e em curta distância, mas têm limitações para pousar em áreas urbanas cheias de fios, árvores e pessoas. Por isso, a etapa final continua humana.
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O que está sendo testado no Brasil
O iFood retomou a operação em Aracaju, em uma rota que conecta a capital à Barra dos Coqueiros, em Sergipe, com parceria de tecnologia da Speedbird Aero. A capacidade de carga é de até 5 kg e os equipamentos e rotas seguem autorizações e regras de órgãos que controlam aviação civil e espaço aéreo. O foco da operação é em reduzir o tempo do trecho de travessia, mantendo segurança, rastreabilidade e integração com o hub de entregadores.
O que o exterior já mostrou em escala
Fora do Brasil, o argumento a favor dos drones é o volume. A Wing, subsidiária da Alphabet, vem transformando o delivery transportando compras leves diretamente de centros parceiros até a casa do cliente. A empresa começou os primeiros testes de entrega em 2014 e opera comercialmente desde 2019, com serviços ativos na Austrália, Estados Unidos, Finlândia e Irlanda, somando mais de 750 mil entregas residenciais. Hoje, expande com força o serviço nos EUA em parceria com a rede varejista Walmart.
A Zipline, também fundada em 2024, construiu a maior rede de entregas por drones do mundo, focada em logística médica e, mais recentemente, em varejo e alimentos. A empresa opera em Ruanda, Gana, Nigéria, Quênia, Costa do Marfim, Japão e Estados Unidos, conectando milhares de hospitais, clínicas e casas a centros de distribuição automatizados. Desde o início das operações em Ruanda, em 2016, suas aeronaves elétricas já realizaram mais de 2 milhões de entregas comerciais, percorrendo mais de 100 milhões de milhas e ajudando a reduzir em até 56% mortes maternas em regiões atendidas, além de cortar drasticamente o tempo de acesso a sangue, vacinas e remédios. A empresa divulga já ter percorrido mais de 100 milhões de km.
E na China?
A China transformou a entrega por drones em peça estratégica da chamada “economia de baixa altitude”, com testes já convertidos em operações comerciais em grandes cidades e áreas rurais. Meituan, JD.com e Alibaba usam frotas de drones para levar refeições e pacotes a condomínios e pontos de retirada em bairros densos, sobretudo em Shenzhen, que virou laboratório nacional para rotas automatizadas em ambiente urbano complexo.
Ao mesmo tempo, governos locais e startups aplicam drones na logística médica, levando sangue, amostras e medicamentos a regiões montanhosas ou isoladas, como em Yanjin, em Yunnan, e em Tianjin e províncias como Zhejiang e Fujian, encurtando o tempo de resposta em emergências. A expansão ganhou impulso regulatório com a revisão da Lei de Aviação Civil, que passa a tratar drones como aeronaves, exigindo certificação de aeronavegabilidade, registro e rastreabilidade, o que cria base legal mais estável para escalar serviços de entrega aérea em todo o país a partir de 2026.
O que vale de verdade
Os drones para entregas ainda não são viáveis como negócio de ampla utilização no Brasil. O motivo é a necessidade de navegabilidade, a situação das linhas de transmissão de eletricidade e fatores vinculados à segurança de voo. Mas não há dúvidas de que os equipamentos são instrumentos que devem ser cada vez mais incorporados à rotina de entregas e úteis para situações de difícil acesso. Talvez sua refeição tenha que esperar para chegar voando. Mas, provavelmente, os medicamentos chegarão para quem precisa, em áreas remotas, em muito menos tempo.
Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec
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