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IA nas escolas: o que muda com as novas diretrizes do CNE

Parecer aprovado em etapa inicial cria parâmetros para o uso da inteligência artificial na educação básica e superior, com foco em supervisão humana, proteção de dados e limites para decisões automatizadas

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A inteligência artificial já chegou às salas de aula, aos trabalhos escolares, às plataformas de ensino e à rotina dos professores. O que muda agora é que o Brasil começa a desenhar uma regra mais clara para separar o uso pedagógico da IA de práticas que podem gerar riscos para alunos, famílias e instituições de ensino.

Na última semana, o Conselho Nacional de Educação aprovou, em votação preliminar, um parecer com diretrizes para o uso da inteligência artificial em escolas e universidades. O texto ainda não tem aplicação definitiva. Ele seguirá para consulta pública e depois dependerá de homologação do Ministério da Educação para passar a orientar formalmente redes de ensino e instituições educacionais.

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O que é o CNE e por que a decisão importa

O Conselho Nacional de Educação é um órgão vinculado ao Ministério da Educação com funções normativas, deliberativas e de assessoramento. O CNE ajuda a formular diretrizes para a educação brasileira, da educação básica ao ensino superior.

Um parecer do órgão sobre inteligência artificial na educação tem peso estratégico. Ele aponta como escolas, universidades, professores, alunos, famílias e empresas de tecnologia devem lidar com uma mudança que já afeta o jeito de estudar, pesquisar, escrever, avaliar e ensinar.

A principal mensagem do parecer é que a IA pode ser usada como apoio ao processo pedagógico, mas não deve substituir o professor. A decisão sobre aprendizagem, avaliação, aprovação, retenção ou acompanhamento do estudante precisa continuar sob responsabilidade humana.

O que foi aprovado pelo CNE

O parecer organiza o uso da inteligência artificial por níveis de risco. A ideia é permitir aplicações úteis e bloquear práticas que possam prejudicar direitos dos estudantes.

Entre os usos de menor risco estão ferramentas de apoio à produção de materiais didáticos, tradução automática, acessibilidade, organização de aulas, adaptação de conteúdos e apoio ao estudo. Esses recursos podem ajudar professores a ganhar tempo e permitir que alunos com diferentes necessidades tenham acesso a conteúdos mais claros.

Em um nível intermediário, entram sistemas de tutoria inteligente, plataformas que sugerem exercícios personalizados e ferramentas que oferecem devolutivas sobre desempenho. Esses usos podem ser positivos, mas precisam de transparência, supervisão humana e acompanhamento pedagógico.

Já os usos de alto risco exigem cuidado maior. O parecer cita situações como correção automatizada de provas com impacto acadêmico, monitoramento biométrico, análise disciplinar automatizada, seleção de benefícios e sistemas que criam perfis individuais de estudantes. Nesses casos, a escola precisa garantir auditoria, explicação, revisão humana e proteção de dados.

O que deve ser proibido ou limitado

O parecer deixa claro que algumas práticas não combinam com a finalidade educacional. Entre elas estão vigilância emocional, pontuação social, exploração de vulnerabilidades, decisões totalmente automatizadas sobre alunos e uso de dados sensíveis sem necessidade pedagógica.

Na prática, isso significa que uma escola não deve usar câmera, microfone ou sistema de IA para tentar medir emoções de estudantes em tempo real. Também não deve criar notas de comportamento por algoritmo, decidir reprovação sem professor ou usar ferramentas opacas para definir quem recebe apoio, bolsa ou benefício.

Esse ponto é central para famílias e educadores. A escola pode usar tecnologia, mas não pode transformar a vida escolar em um ambiente de vigilância permanente. A IA deve ajudar a aprender melhor, não controlar o estudante de forma invisível.

Como a IA pode ajudar professores e alunos

Quando bem usada, a inteligência artificial pode reduzir tarefas repetitivas. Professores podem usar IA para montar listas de exercícios, adaptar textos, preparar atividades de reforço, traduzir materiais, criar roteiros de aula e organizar conteúdos por nível de dificuldade.

Para os alunos, a IA pode explicar um conceito em linguagem mais simples, sugerir caminhos de pesquisa, propor exercícios, revisar a clareza de um texto e ajudar na organização de estudos. Mas o uso precisa ser orientado. Se o estudante apenas copia a resposta, não há aprendizagem.

Por isso, a diretriz mais importante é a mediação humana. A tecnologia pode ampliar o acesso ao conhecimento, mas o professor continua sendo quem interpreta o contexto do aluno, percebe dificuldades, avalia avanços e define o caminho pedagógico.

O desafio para escolas e universidades

A aprovação inicial do parecer não resolve, sozinha, os desafios da IA na educação. As redes de ensino precisarão criar políticas internas, formar professores, revisar contratos com plataformas digitais, proteger dados pessoais e explicar aos alunos o que pode ou não pode ser feito.

Também será necessário enfrentar a desigualdade digital. Algumas escolas já usam plataformas avançadas, enquanto outras ainda enfrentam problemas de internet, equipamentos e formação tecnológica. Sem investimento, a IA pode aumentar a distância entre estudantes, em vez de reduzi-la.

O parecer do CNE abre uma etapa importante: reconhecer que a inteligência artificial faz parte da educação, mas precisa de regra, supervisão, transparência e responsabilidade. A escola do futuro não será aquela que trocar professores por algoritmos. Será que conseguir usar tecnologia para fortalecer o ensino, proteger o aluno e melhorar a aprendizagem.

Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec

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