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Como proteger seu celular no Carnaval sem perder a festa
O ToqueTec reuniu um guia de bolso para a temporada de blocos: o que os dados mais recentes mostram sobre roubos e furtos, por que a distração (e o álcool) aumentam o risco, como guardar o aparelho de forma inteligente e quais ajustes deixam o […]
O ToqueTec reuniu um guia de bolso para a temporada de blocos: o que os dados mais recentes mostram sobre roubos e furtos, por que a distração (e o álcool) aumentam o risco, como guardar o aparelho de forma inteligente e quais ajustes deixam o celular mais “chato” de invadir — além do passo a passo para usar o Celular Seguro se der ruim.
Os roubos de celulares seguem altos em SP
No estado de São Paulo, os registros de roubos e furtos de celulares caíram 6% em 2025 (de 270.549 em 2024 para 254.459). Quando se olha só para roubos, a redução foi mais forte: de 118.181 (2024) para 96.963 (2025), queda próxima de 18%. Na Capital, roubos e furtos somaram 161.774 em 2025 (eram 163.483 em 2024), e os roubos caíram 15%: 59.729 em 2025 contra 70.480 em 2024. Na prática, mesmo com retração, o volume permanece grande o suficiente para justificar “modo Carnaval” no celular.
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Porque o bloco aumenta o risco (e o que mais derruba a atenção)
Furto em aglomeração tem três gatilhos clássicos: empurra-empurra, mão “solta” (celular em bolso traseiro, aberto ou sem zíper) e distração prolongada. O exemplo mais comum é ficar parado com o aparelho na mão esperando o carro de aplicativo, conferindo placa e mapa. Some a isso o consumo de álcool e o cansaço, e o comportamento vira previsível: olhar fixo na tela e pouca percepção do entorno.
Como guardar o celular sem paranoia, mas com eficiência
- Priorize bolsos frontais com zíper. Se não tiver, use doleira/pochete cruzada na frente do corpo.
- Evite bolso traseiro e bolso aberto de bermuda/short.
- Em multidão, o celular deve “sumir”: use só quando necessário e guarde antes de andar.
- Para chamar transporte, procure um ponto mais protegido (entrada de loja, parede, poste), faça o pedido e guarde o aparelho enquanto espera.
- Se você gosta de filmar, pense em alternância: grave trechos curtos e volte o celular para o lugar. Celular na mão por 10 minutos é o pior cenário.
Ajustes que deixam o celular mais difícil de usar depois do roubo
Aqui não é sobre “ser impossível”, e sim sobre ganhar tempo para bloquear e reduzir o valor do aparelho para o crime.
- Trava de tela forte: use senha/PIN longo
- Ocultar conteúdos na tela bloqueada: desative prévia de notificações (principalmente SMS e e-mail).
- Bloqueio de chip (SIM PIN): impede que coloquem seu chip em outro telefone para receber SMS de recuperação.
- Ative localização e “encontrar dispositivo” (e teste antes): é o que permite bloquear/limpar remotamente.
- iPhone: ative a Proteção de Dispositivo Roubado (iOS 17.3+), que exige biometria e pode impor atraso de segurança para mudanças críticas (senha da conta, troca de código, acesso a senhas salvas etc.).
- Android: ative a “Proteção contra roubo” (Bloqueio por detecção de roubo, Bloqueio off-line e Bloqueio remoto).
Quais apps vale apagar e reinstalar depois
A regra é: tire do aparelho o que permite movimentar dinheiro ou recuperar senhas de outros serviços sem você.
- Apps bancários e de investimento, inclusive carteiras de cripto, corretoras e apps de pagamento que tenham saldo.
- Apps com “senha mestra” fraca (ex.: gerenciadores de senha sem proteção extra).
- E-mail principal se ele é sua chave de recuperação de todas as contas e fica com notificações abertas.
Se você não quer apagar, um meio-termo é desativar notificações sensíveis (SMS, e-mail, bancos) e exigir biometria dentro do app quando houver essa opção. Para muita gente, o melhor é ter um celular de carnaval com o básico que você precisa, sem dados sensíveis, Apps que farão você trocar os blocos por horas, bloqueando ou alterando senhas. Marketplaces com seu cartão salvo: qual a necessidade de manter no celular durante o bloco?
Se roubarem seu celular: o que fazer nos primeiros minutos
- Vá para um lugar seguro e avise alguém do seu grupo.
- Bloqueie o aparelho pelo serviço de “encontrar dispositivo” do sistema (iPhone/Android).
- Bloqueie o chip/linha com sua operadora para evitar golpes por SMS/WhatsApp.
- Avise bancos e serviços de pagamento (bloqueio preventivo).
- Troque senhas do e-mail principal e ative/force 2FA onde for possível.
- Faça boletim de ocorrência, principalmente se houver acessos indevidos.
Como cadastrar e usar o Celular Seguro do Governo Federal
O serviço do Ministério da Justiça e Segurança Pública funciona com login do gov.br e permite registrar aparelho, cadastrar pessoas de confiança e emitir alerta em caso de roubo/furto/perda.
Passo a passo essencial:
- Instale o app e entre com sua conta gov.br.
- Em Pessoas de Confiança, cadastre 1 ou 2 contatos que também tenham o app para poderem emitir alerta por você.
- Em Registrar Telefone, vincule o aparelho ao seu CPF (o serviço indica que não há limite de dispositivos cadastrados).
- Se acontecer roubo/furto/perda, você (ou a pessoa de confiança) vai em Meus Telefones ou Telefones de Confiança, escolhe o aparelho e toca em Alerta. O sistema gera um número de protocolo — guarde.
- O app integra o alerta com instituições participantes, incluindo operadoras e serviços bancários/financeiros, conforme a descrição oficial.
No Carnaval, o celular é útil para mapas, encontros e transporte. Mas, em bloco cheio, ele também vira o item mais “cobiçado” do seu corpo. A boa estratégia é simples: menos tempo na mão, melhor guarda, e camadas de bloqueio para tornar o pós roubo rápido e pouco lucrativo.
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