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Casas medievais italianas oferecem solução ancestral contra ondas de calor
Construções cônicas de pedra, conhecidas como trulli, demonstram como a sabedoria arquitetônica do passado pode inspirar o futuro da moradia sustentável e confortável, adaptando-se aos desafios climáticos atuais
Com o aumento das temperaturas globais e a recorrência de ondas de calor intensas, a busca por soluções eficazes para manter o conforto térmico em ambientes residenciais tornou-se uma prioridade. Curiosamente, algumas das respostas mais inovadoras podem ser encontradas em métodos construtivos seculares. No sul da Itália, estruturas medievais conhecidas como trulli estão ressurgindo como um exemplo notável de arquitetura bioclimática, oferecendo um resfriamento natural que desafia as condições climáticas extremas.
O design engenhoso dos trulli
Os primeiros trulli foram construídos em meados do século XIV, na região da Apúlia, na Itália. Tradicionalmente, essas edificações consistem em uma única sala, coberta por um telhado cônico distinto. Sua construção utiliza calcário, extraído das próprias terras agrícolas, e se caracteriza por paredes espessas que variam de 1,5 a 3 metros de profundidade. Este tipo de construção, que por gerações esteve fora de moda, ganha novamente destaque por seu design inteligente e eficaz na regulação da temperatura interna.
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O segredo do conforto térmico
O principal fator por trás do resfriamento natural dos trulli reside nas propriedades do calcário. Este material possui características higrotérmicas, o que significa que reage de forma diferente conforme a umidade e a temperatura ambiente. Durante os meses mais frios do inverno, o calcário absorve grandes quantidades de umidade. Com a chegada do verão, essa umidade acumulada evapora lentamente, promovendo um resfriamento gradual do interior das casas.
Adicionalmente, o telhado cônico desempenha um papel crucial, direcionando o excesso de calor para cima e para fora da estrutura. A combinação desses elementos resulta em uma temperatura ambiente interna que é tipicamente de 7 a 10 graus Celsius mais fria do que a externa. Em alguns casos, essa diferença pode ultrapassar 14 graus Celsius, proporcionando um refúgio notável contra o calor intenso.
Renascer em tempos de crise climática
Por décadas, a construção de trulli foi negligenciada. No século XX, especialmente a partir da década de 1980, a maioria das novas construções passou a depender do cimento, um material com impactos ecológicos significativos. Francesco Fragnelli, restaurador de trulli, explicou em uma entrevista à Popular Science que “Os trulli representavam uma era passada, de sofrimento e fome”. Contudo, a situação mudou.
Com o agravamento das ondas de calor, a demanda por essas antigas construções tem crescido exponencialmente. Artesãos como Fragnelli não apenas restauram os trulli existentes, mas também observam um aumento na procura por novas edificações. Gerardo Biancofiore, representante da associação de construtores italianos, afirmou que “Com o aumento das ondas de calor, as soluções tradicionais (como os trulli) estão se tornando uma referência valiosa, capaz de inspirar estratégias de adaptação climática para a construção contemporânea também”.
Inspiração para a arquitetura moderna
Os princípios construtivos dos trulli estão influenciando projetos de arquitetura bioclimática modernos. As características dessas casas, como as paredes com núcleos de entulho, podem ser incorporadas em novas construções. Biancofiore ressaltou que “Especialistas em arquitetura sustentável veem os princípios por trás da construção dos trulli como uma fonte de inspiração para edifícios mais resilientes ao aquecimento global”. A sabedoria ancestral, portanto, oferece um caminho promissor para o desenvolvimento de moradias mais eficientes e confortáveis diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec0
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