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Carro elétrico na chuva: a bateria corre risco ou é mais seguro do que parece?

No Sul e no Sudeste, a temporada de chuva intensa coloca uma dúvida nova na rotina de quem já vê elétricos e híbridos por toda parte: eles reagem diferente de um carro a combustão quando a rua vira rio? O ToqueTec organizou o que muda […]

Carro elétrico na chuva: a bateria corre risco ou é mais seguro do que parece?
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No Sul e no Sudeste, a temporada de chuva intensa coloca uma dúvida nova na rotina de quem já vê elétricos e híbridos por toda parte: eles reagem diferente de um carro a combustão quando a rua vira rio? O ToqueTec organizou o que muda (e o que não muda) em tempestades. A bateria não molha como muita gente imagina. Porém existem cuidados que reduzem o risco para você e para quem estiver por perto.

Chuva forte não é o problema; alagamento é

Em momentos de chuva intensa, um elétrico ou híbrido se comporta como qualquer carro moderno: tem eletrônica, sensores e módulos que precisam estar protegidos. O conjunto de alta tensão (bateria, cabos e conectores) é instalado em compartimentos selados e projetados para suportar água de chuva e poças.

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O cenário que muda o jogo é submersão e água parada: enchente, rua alagada, garagem inundada. Nesse ambiente surgem riscos que também existem em carros a combustão (pane, perda de controle, água no motor), mas com um adicional específico: danos e curtos-circuitos em sistemas de alta tensão, com possibilidade de choque e incêndio, especialmente quando o veículo fica exposto à água por mais tempo. Entidades de segurança no trânsito alertam que veículos elétricos e híbridos inundados podem apresentar risco de choque de alta tensão e incêndio, e recomenda tratar a situação como potencialmente perigosa. 

A bateria “molha”? Como ela é protegida

A bateria de tração não fica “aberta” como uma caixa com eletricidade. Ela fica dentro de um invólucro rígido, fixado ao assoalho e com vedação. O carro monitora continuamente falhas de isolamento elétrico. Em condições normais de uso (chuva, poças, lavagem externa correta), o sistema é operado para não ter contato com água.

O problema é que enchente pode forçar água para dentro de conectores, respiros e passagens que não foram feitos para submersão prolongada. Além disso, a água de enchente costuma ser suja, com contaminantes que podem aumentar a corrosão e a condutividade. Diversos órgãos de controle, como a National Fire Protection Association,(NFPA) e o National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), destacam que veículos com bateria de íons de lítio que foram submersos podem representar risco de choque e de incêndio, inclusive com eventos que acontecem algum tempo depois da inundação. 

A enchente pode “eletrificar” a água e dar choque em pessoas?

A ideia de que um elétrico “energiza” a água ao redor como se fosse um fio desencapado é, na prática, improvável em um carro íntegro. O sistema de alta tensão é isolado da carroceria e projetado para se desconectar em falhas. Mesmo assim, quando há submersão e dano desconhecido, os órgãos de segurança tratam o veículo como um potencial risco elétrico e de incêndio.

Em outras palavras: a chance de a água ao redor virar tomada não é o cenário típico, mas a recomendação é agir como se pudesse haver perigo. Em um carro submerso não há como garantir a integridade do isolamento na rua, no escuro, com água turva e veículo danificado. 

O que fazer ao dirigir um elétrico ou híbrido em chuva e enxurrada

As recomendações de direção são muito parecidas com as de qualquer carro, com uma ênfase maior em “não pagar para ver”:

  • Não entre em alagamento. A lâmina d’água impede ver buracos, meio-fio e correnteza. A decisão mais segura é voltar e buscar uma rota mais segura.
  • Evite “onda”. Se for realmente inevitável passar por uma poça, observe se outros veículos passam. Escolha a rota mais rasa. Passe devagar e em velocidade constante, sem acelerar para não levantar água para conectores e entradas de ar.
  • Mantenha distância. Alguém pode parar no meio da água e você precisará de espaço para recuar.
  • Freios depois da água. Após atravessar trecho molhado, teste os freios com toques leves para secar discos e pastilhas.

A regra prática: enchente não é “desafio de tração”; é risco de ser arrastado, queda em buraco, pane e dano caro. Em elétricos e híbridos, isso pode incluir componentes de alta tensão que exigem inspeção especializada. E custos altíssimos de peças.

Se o carro ficou em enchente: o que não fazer

Se houve submersão (mesmo parcial) ou água entrou na cabine/assoalho:

  • Não tente ligar o carro “para ver se funciona”.
  • Não conecte para carregar.
  • Não estacione em garagem fechada “até amanhã”.

A orientação da NHTSA é manter um veículo com bateria potencialmente danificada longe de estruturas com materiais inflamáveis e combustíveis e acionar assistência técnica da marca para avaliação. 

Fabricantes também publicam orientações específicas de “veículo submerso”, como a Tesla, que recomenda seguir procedimentos próprios e, em cenário de risco, remover o veículo da linha de inundação e acionar reboque/assistência. 

Checklist rápido: condução segura em caso de enchente

  • Em caso de avistar água alta em uma área, não entre.
  • Entrou e o carro perdeu força ou apagou: priorize sair do veículo e ir para um ponto mais alto, se houver segurança para isso.
  • Carro submerso ou com água dentro: trate como risco potencial, mantenha pessoas afastadas e chame assistência/autoridades.
  • Depois da enchente: inspeção profissional antes de usar ou recarregar.

Dirigir em chuva forte não é “inimigo” de elétricos e híbridos. O que muda é o pós-enchente: o acerto não está em ser corajoso, e sim em ser conservador — porque o problema costuma aparecer depois que a água baixa.

Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec

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