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BBB de 2009 a 2011: como o celular virou o controle remoto da casa
ToqueTec apresenta a retrospectiva do BBB de seu lançamento até 2026. Nesse tempo o jogo mudou. Incorporou novas tecnologias. A vida também mudou. As redes sociais surgiram com força. Os aparelhos de TV mudaram. E o Brasil passou a acompanhar tudo em multitelas. Em 2009, […]
ToqueTec apresenta a retrospectiva do BBB de seu lançamento até 2026. Nesse tempo o jogo mudou. Incorporou novas tecnologias. A vida também mudou. As redes sociais surgiram com força. Os aparelhos de TV mudaram. E o Brasil passou a acompanhar tudo em multitelas.
Em 2009, o BBB já era mais do que um programa para assistir. Era um ritual de sala, com votação em massa e conversa que atravessava a semana. Ao mesmo tempo, o smartphone começou a deixar de ser “extensão da rua” para assumir tarefas domésticas: registrar, organizar, lembrar e resolver. O ToqueTec usa as edições 9, 10 e 11 como uma linha do tempo para entender quando a casa passou a ter duas telas, e por que isso mexeu com conforto, descanso e convivência.
O ponto em comum desses três anos é simples: a tecnologia saiu do canto do computador e começou a circular por todos os cômodos. No sofá, o controle remoto continuava na mão. Mas, cada vez mais, havia outro objeto ao lado: um celular capaz de fotografar, filmar, acessar a internet e abrir aplicativos que mudaram a forma de viver em casa.
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2009: Max Porto e o iPhone 3GS acelerando a vida doméstica
O BBB9 entrou para a história pela final apertada. Max Porto venceu Priscila Pires com diferença de 0,24 ponto percentual, em uma votação que passou de 44 milhões de votos. O Brasil ainda assistia junto na sala, mas a participação já mostrava um público acostumado a interagir, insistir e disputar cada paredão como um evento nacional.
Fora da casa, 2009 marca uma virada prática. O iPhone 3GS, apresentado em 06/2009, trouxe mais velocidade e uma câmera de 3 megapixels com gravação de vídeo, além de recursos como bússola digital e comandos de voz. O resultado não foi só “um telefone melhor”. Foi um empurrão para novos hábitos domésticos: fotografar um canto da casa para planejar reorganização, registrar medida de móvel, guardar listas e lembretes sem papel, e acompanhar vídeos curtos de receita e organização sem depender do computador.
Esse ganho de mobilidade alterou a lógica das pequenas tarefas. Coisas que antes exigiam sentar-se, ligar o PC e procurar, passaram a ser resolvidas em minutos. Em uma casa com mais equipamentos e mais contas, isso virou tempo recuperado: menos burocracia e mais espaço para descanso e convivência.
Mais crédito, mais telas, mais rotina para administrar
No fim da década de 2000, o Brasil viu crescer o acesso a bens de consumo. Entraram mais TVs de tela plana na sala, DVDs e micro-ondas mais modernos na cozinha, e computadores espalhados entre sala e quartos. Com isso, a casa ganhou mais telas e mais escolhas diárias: pagar, conferir, comparar, planejar.
Um smartphone mais rápido começou a funcionar como “controle de bolso” para rotinas que cansam: consultar saldo, acompanhar vencimentos, montar lista de supermercado e organizar compromissos. A tecnologia não eliminou tarefas domésticas, mas reduziu a fricção de muitas delas. E, quando a fricção diminui, o lar tende a ficar mais leve.
Entre o paredão e o feed: a segunda tela ganha forma
Enquanto o BBB 9 testava dinâmicas como casa dividida e casa de vidro, a vida social já se dividia entre presencial e digital. Redes como Orkut, Twitter e Facebook cresciam, e comentar o programa deixou de depender do “dia seguinte”. A conversa começou a correr ao vivo, ainda que nem todo mundo fizesse isso pelo celular com fluidez. O hábito estava nascendo: assistir na TV e reagir na internet ao mesmo tempo.
Esse modelo, que depois seria chamado de segunda tela, transformou a sala em ponto de conexão. O morador não precisava sair do sofá para saber o que outros estavam achando. E essa troca constante passou a influenciar humor, atenção e até a forma de descansar: entretenimento e interação se misturaram.
2010: Marcelo Dourado, iPhone 4, Galaxy S e o início do smartphone “de verdade”
O BBB 10 reforçou o peso do reality no cotidiano. Com retorno de ex-participantes e torcida intensa, o prêmio subiu para R$ 1,5 milhão, e Marcelo Dourado venceu com 60% dos votos. A sala seguia como palco principal, mas a experiência já vinha acompanhada de pesquisa, enquetes e comentários em tempo real.
Em 2010, o avanço tecnológico foi direto ao ponto: iPhone 4 e o primeiro Galaxy S ajudaram a consolidar o smartphone moderno. Tela melhor, desempenho mais alto e câmeras mais capazes ampliaram três usos domésticos que se tornariam rotina: videochamadas, consumo de vídeo fora da TV e aplicativos que organizam o dia. O Wi-Fi doméstico ganhou importância, porque o celular passou a pedir uma rede estável para funcionar bem dentro de casa.
Esse foi o momento em que o smartphone deixou de ser um acessório e começou a disputar o papel de central doméstica. O mesmo aparelho que servia para comentar o BBB também passou a cuidar de agenda, pagamentos, listas e pequenas decisões do lar, como escolher caminho no trânsito ou lembrar uma compra importante.
Instagram e o jeito novo de olhar para a própria casa
Também em 2010, o Instagram popularizou uma prática que mudou a percepção do lar: fotografar e compartilhar o cotidiano com rapidez. Isso chegou rápido à casa: fotos de reforma, decoração, prato do dia, cantos “bonitos de luz”. O impacto para o bem-estar foi ambíguo e bem real. Por um lado, ajudou a valorizar ambientes mais funcionais e aconchegantes. Por outro, aumentou a sensação de que a casa precisa estar pronta para aparecer na tela.
No dia a dia, a câmera melhorou e os apps de foto empurrara m uma mudança silenciosa: o lar virou cenário. E, quando vira cenário, iluminação, organização e conforto ganham um tipo novo de importância.
2011: Maria Melilo e o Snapchat trazendo a vida em tempo real
Em 2011, Maria Melilo venceu o BBB 11 e o programa já estava colado ao cotidiano digital: acompanhar, comentar, buscar bastidores, combinar paredão com amigos e circular opiniões em rede. A diferença é que o tipo de compartilhamento também mudou.
O Snapchat apareceu com uma proposta que parecia contraintuitiva: mensagens em foto e vídeo que “somem”. Essa comunicação efêmera incentivou trocas mais rápidas e menos formais. Dentro de casa, isso se traduziu em cenas curtas do cotidiano: almoço, pet no sofá, reação ao paredão, um momento de humor sem a obrigação de “virar registro”. A câmera passou a circular por mais cômodos, e a casa virou palco e bastidor ao mesmo tempo.
Ao juntar 2009, 2010 e 2011, a virada fica clara: o celular deixou de ser só telefone e virou memória, agenda, câmera, TV portátil e canal de conversa. A casa, por consequência, ficou mais conectada, mais prática e mais exposta às telas. O desafio de bem-estar que nasce aí é aprender a usar a tecnologia para ganhar tempo e conforto, sem transformar descanso em um fluxo infinito de notificações.
Este conteúdo foi criado com auxílio de inteligência artificial e supervisionado por um jornalista do ToqueTec
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