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A tecnologia está mudando a relação entre moda fitness e autoestima

Tecnologias têxteis ganham protagonismo na moda fitness e ajudam a transformar a relação entre roupas, conforto e diferentes tipos de corpo

A tecnologia está mudando a relação entre moda fitness e autoestima
A tecnologia está mudando a relação entre moda fitness e autoestima
Freepik | A tecnologia passa a contribuir para uma relação mais confortável entre roupa e corpo
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Por Clarissa Palácio

Durante décadas, a moda fitness vendeu muito mais do que roupas para treinar. Compressão, efeito modelador e promessas de uma silhueta “perfeita” ajudaram a transformar leggings, tops e shorts em símbolos de um ideal de corpo que parecia inseparável da prática esportiva. Agora, esse discurso começa a mudar. Em vez de adaptar o corpo à roupa, parte da indústria aposta em desenvolver tecnologias capazes de fazer o caminho inverso: criar tecidos e modelagens que acompanhem diferentes biotipos, movimentos e rotinas.

A mudança acontece em um momento de contradição. Ao mesmo tempo em que a cultura da magreza extrema volta a ganhar espaço nas redes sociais, impulsionada por tendências estéticas e pelo uso crescente de medicamentos para emagrecimento, cresce também a demanda por roupas que priorizem conforto, liberdade de movimento e bem-estar. Segundo a médica nutróloga Ingrid Ribeiro, em entrevista à Radio Mix de Maceió, mais de 20% dos jovens brasileiros apresentam sinais de transtornos alimentares, reflexo de uma pressão estética que continua influenciando a relação das pessoas com o próprio corpo.

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Nesse cenário, a inovação deixa de aparecer apenas nas campanhas publicitárias e passa a fazer parte da construção das próprias peças. A tecnologia têxtil, antes restrita aos bastidores da indústria, transforma-se em argumento de compra e em ferramenta para tornar a moda fitness mais inclusiva. A Body For Sure é um dos exemplos desse movimento, ao colocar o desenvolvimento dos tecidos no centro de sua estratégia e defender que a roupa deve acompanhar o corpo, e não o contrário.

Quando a inovação deixa o laboratório

Durante muito tempo, a tecnologia têxtil foi tratada como um diferencial percebido apenas por especialistas ou por consumidores mais atentos aos materiais utilizados nas roupas. Hoje, ela começa a ocupar espaço também na comunicação das marcas, que passaram a traduzir características técnicas em benefícios práticos para quem veste as peças.

Esse movimento pode ser observado na Body For Sure. Com mais de três décadas de atuação e pertencente ao Grupo Rosset, a empresa passou a colocar o desenvolvimento têxtil no centro de sua estratégia de comunicação. Segundo Marcella Sant’Anna, diretora de Marketing e Produtos da marca, a tecnologia sempre esteve presente no desenvolvimento das peças, mas passou a ocupar um espaço mais central também na comunicação. “A tecnologia sempre fez parte da história da Body For Sure, mas agora ela passa a ocupar um lugar mais protagonista na forma como contamos essa história”, afirma. A executiva explica que muitas consumidoras já percebiam atributos como conforto, segurança e liberdade de movimento, mas nem sempre associavam essas características às pesquisas e aos processos de engenharia têxtil. “Entendemos que era o momento de tornar esse diferencial mais visível.”

Essa aproximação entre moda e engenharia também influencia a criação das coleções. Em vez de escolher um tecido tecnológico apenas na etapa final do desenvolvimento, a empresa afirma que o processo começa pelas possibilidades oferecidas pelos materiais. “As coleções são desenvolvidas a partir das possibilidades que cada tecnologia oferece, e não apenas recebem um tecido tecnológico ao final do processo”, explica Marcella. Tecnologias como Body 360º, Body Fresh, Body Peach e Body Energize surgem desse trabalho conjunto entre pesquisa têxtil, modelagem e design, buscando entregar benefícios como elasticidade, respirabilidade, sustentação e durabilidade para diferentes tipos de uso.

A certificação OEKO-TEX®, que verifica a segurança química dos tecidos, também aparece como parte dessa estratégia. Mais do que um selo técnico, ela responde a uma demanda crescente por transparência sobre a composição e a qualidade dos materiais utilizados nas roupas. “Certificações como a OEKO-TEX® ganham cada vez mais relevância porque oferecem um reconhecimento independente de que os tecidos passaram por critérios rigorosos de avaliação”, afirma a executiva.

Créditos: Divulgação

Legenda: Marcella Sant’Anna, diretora de Marketing e Produtos da Body For Sure

Do body positivity ao produto

Nos últimos anos, o movimento body positivity ajudou a ampliar a diversidade de corpos representados nas campanhas publicitárias da indústria da moda. No entanto, a inclusão nem sempre esteve presente no desenvolvimento das próprias roupas.

A evolução mais recente parece acontecer justamente dentro do produto. Em vez de concentrar esforços apenas em modelagens que comprimem ou moldam a silhueta, cresce o investimento em tecidos capazes de acompanhar diferentes corpos sem limitar seus movimentos. Conforto, elasticidade, cobertura e ajuste deixam de ser atributos secundários e passam a fazer parte da experiência que as consumidoras esperam encontrar.

Para Marcella Sant’Anna, essa mudança acompanha uma transformação no comportamento das mulheres. “Hoje, ela busca peças que ofereçam conforto, ajuste e liberdade de movimento para acompanhar uma rotina dinâmica”, afirma. Segundo a executiva, o objetivo é justamente inverter uma lógica que marcou a moda fitness durante anos. “Desenvolvemos nossas coleções para que a roupa acompanhe o corpo, e não o contrário.”

Essa percepção também alterou os critérios de compra. Além da estética, consumidoras passaram a observar aspectos como resistência ao uso frequente, manutenção do caimento, qualidade dos tecidos e sensação proporcionada pela peça durante o uso. Para Marcella, a tecnologia passou a influenciar diretamente a decisão de compra. “Antes, esse era um atributo percebido principalmente por quem entendia de tecido. Hoje, ele faz parte da decisão de compra porque está diretamente ligado à experiência de vestir e à confiança que a consumidora tem no produto”, diz.

O tecido como protagonista

Se antes a inovação na moda fitness era associada principalmente ao lançamento de novas coleções ou tendências de estilo, hoje ela passa cada vez mais pela engenharia têxtil. Tecidos inteligentes, processos de desenvolvimento mais sofisticados e certificações tornam-se argumentos de compra tão relevantes quanto cores ou modelagens.

A tendência acompanha um consumidor mais atento à procedência dos produtos e à forma como eles são produzidos. Assim como cresce o interesse pelos ingredientes dos alimentos ou pelos materiais utilizados em produtos de beleza, aumenta também a preocupação com a composição dos tecidos, sua durabilidade e os impactos que eles podem causar na rotina de quem os utiliza.

Nesse cenário, a inovação deixa de ser apenas uma promessa de performance esportiva para assumir um papel mais amplo. A tecnologia passa a contribuir para uma relação mais confortável entre roupa e corpo, deslocando o foco da transformação física para a experiência de quem veste a peça. Em uma indústria historicamente marcada pela busca de um padrão ideal, talvez essa seja a mudança mais significativa: não fazer com que as pessoas caibam na roupa, mas desenvolver roupas que façam sentido para pessoas reais. Para Marcella Sant’Anna, essa transformação deve continuar nos próximos anos. “Tecnologia, sustentabilidade e desenvolvimento de produto caminham juntos. Quanto mais inteligente e durável for uma peça, maior será seu valor para a consumidora”, conclui.

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