Tecnologia

Fairphone, o primeiro smartphone ecorresponsável

Produzido por empresa holandesa, equipamento não usa metais de países em conflito e é criado para ter um tempo de uso maior

Fairphone: a ideia é contrapor a chamada obsolescência programada
Fairphone: a ideia é contrapor a chamada obsolescência programada
Apoie Siga-nos no

Por Daniella Franco

Você já ouviu falar do Fairphone? O aparelho se tornou célebre na Europa por ser considerado o primeiro smartphone ecorresponsável. Diferente dos celulares das gigantes da tecnologia, o Fairphone não utiliza metais raros de países em conflito e seus fabricantes se comprometem a respeitar as condições de trabalho dos empregados. Ele é modular, com peças substituíveis e recicláveis que aumentam o ciclo de vida do produto.

O aparelho é produzido pela Fairphone, empresa baseada na Holanda. A primeira versão do smartphone chegou ao mercado em 2014 e a segunda, no final de 2015. No total, a companhia já vendeu 100 mil exemplares.

“O Fairphone 1 foi nossa primeira tentativa, ele era baseado em um telefone pré-existente, no qual fizemos algumas melhoras. Já o Fairphone 2 é, pela primeira vez, um aparelho que nós mesmos criamos todo o design. A grande diferença entre os dois é a modularidade do segundo: ele pode ser aberto pelo usuário e ter suas peças substituídas para ser consertado e usado durante muito tempo”, explicou à RFI Sylvain Mignot, que faz parte da equipe responsável por melhorias no produto.

A filosofia de prolongar a vida do telefone vai de encontro com a obsolescência programada, uma característica inerente aos produtos eletrônicos, que são concebidos com uma duração pré-definida. “Lutamos contra isso de uma forma que não é tecnicamente complicada e simples para o usuário. A ideia é que o consumidor tenha esse celular durante muito tempo. Isso porque, se as peças quebram, podemos substituí-las fazendo o pedido de reposição pela internet, sem a necessidade de comprar um novo celular”, diz.

Mignot ressalta que outra vantagem para o usuário é melhorar apenas os “módulos” do telefone que mais o interessam. “Por exemplo, para os amantes de fotografia, estamos desenvolvendo uma nova câmera que permitirá, para quem quiser, trocar apenas essa peça do telefone.”

Outra preocupação da empresa é conhecer a origem dos materiais utilizados no produto. A Fairphone se recusa a utilizar em seus aparelhos os chamados “minérios de conflito”: o estanho, o tântalo, o tungstênio e o ouro – cuja boa parte da produção mundial é originária de minas que financiam conflitos ou grupos armados, como a República Democrática do Congo e a Colômbia.

“Com a ajuda de organizações, rastreamos esses materiais, em diferentes locais da cadeia de produção e extração deles. Mas, claro, há muitas outras questões polêmicas que queremos tratar, como as condições de trabalho, o trabalho infantil, o impacto ambiental da indústria mineira, entre outros”, enumera Mignot.

Interesse pelo consumo de “produtos éticos”

Essas preocupações são consideradas pelos consumidores do Fairphone, geralmente europeus. “Trabalhando no setor do desenvolvimento sustentável, tento prestar atenção nos produtos que consumo. Quando meu iPhone estragou, fiz uma pesquisa na internet sobre smartphone responsável e ético e tive como resposta o site do Fairphone e ele corresponde às minhas necessidades”, diz o francês Jean Philippe.

Fairphone A empresa diz que todos os materiais têm origem em fontes éticas

No Brasil, com exceção de sites especializados, pouco se falou do Fairphone. No blog Ecodesenvolvimento, da plataforma Science Blogs, a ativista ambiental Claudia Chow dissecou o produto. No entanto, para ela ainda não há o debate sobre o consumo responsável de produtos eletrônicos no Brasil, o que pode dificultar o interesse dos brasileiros pelo produto. “Eu observo que, no máximo, as pessoas no Brasil têm a preocupação de como descartar o lixo eletrônico”, afirma.

À RFI, ela contou que só na Inglaterra, onde vive atualmente, conseguiu conhecer o Fairphone. “Estou morando em um lugar em que várias pessoas possuem esse smartphone e eu pude ver como ele funciona. O conceito do aparelho, separado por módulos, é muito interessante. Mas muitas pessoas reclamam que, como a empresa é muito pequena, quando há problemas no telefone, demora-se meses para conseguir repor uma peça. Muita gente pensa que o Fairphone é legal, mas vai ficar bom mesmo daqui a alguns anos”, ressalta.

Por enquanto, as vendas do Fairphone são feitas pelo site da empresa. Cada unidade custa 529 euros (cerca de 1.930 reais). De acordo com informações disponíveis no site do fabricante, a próxima remessa será entregue no final de outubro.

Com a colaboração de Laurent Berthault. Esta reportagem foi publicada originalmente na RFI Brasil.

Outras:

Fire Phone, primeiro smartphone da Amazon, busca mercado frutuoso

Empresa lança Yotaphone, primeiro smartphone made in Rússia

Coreia do Norte anuncia lançamento de seu próprio smartphone

CartaCapital
Há 27 anos, a principal referência em jornalismo progressista no Brasil.

Tags: ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.