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Elon Musk anuncia suspensão temporária do acordo para comprar o Twitter e ação desaba

Motivação seria a falta de detalhes sobre a proporção de contas falsas na rede social

O magnata Elon Musk. Foto: Frederic J. Brown/AFP
O magnata Elon Musk. Foto: Frederic J. Brown/AFP
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Elon Musk anunciou nesta sexta-feira (13) a suspensão temporária da compra do Twitter, à espera de detalhes sobre a proporção de contas falsas na rede social.

“O acordo sobre o Twitter fica em suspenso de maneira temporária à espera de detalhes que sustentem o cálculo de que as contas falsas representam menos de 5% dos usuários”, tuitou o homem mais rico do mundo, CEO da Tesla.

Algumas horas depois, no entanto, afirmou que continua “comprometido” a completar a operação, enquanto o mercado se questiona sobre suas verdadeiras intenções.

A ação do Twitter, com cotação na Bolsa de Valores de Nova York, limitou as perdas ao recuar quase 10% nas negociações eletrônicas, antes da abertura de Wall Street, depois de desabar 25% nos primeiros minutos após o anúncio da suspensão da compra.

O acordo sobre o Twitter fica em suspenso de maneira temporária, à espera de detalhes que sustentem o cálculo de que as contas falsas representam efetivamente menos de 5% dos usuários”, tuitou o homem mais rico do mundo em sua conta, que tem 93 milhões de seguidores.

Musk citou a erradicação das contas falsas e a transparência dos usuários como questões centrais para a compra do Twitter, uma operação para a qual ofereceu 44 bilhões de dólares no mês passado.

Ao anunciar o acordo no fim de abril, o CEO da Tesla disse que queria transformar a rede social em algo “melhor do que nunca”, “derrotando os bots de spam e com a autenticação de todos os humanos”.

Dados confiáveis sobre o número de usuários são considerados vitais para avaliar as futuras fontes de receita.

Mas nesta sexta-feira publicou um link para um artigo de 2 de maio que fazia referência à última apresentação do Twitter às agências reguladoras americanas.

“Espetáculo de terror”

A apresentação afirmou que uma revisão interna chegou à conclusão de que o Twitter tinha 229 milhões de “usuários ativos diários monetizáveis” no primeiro trimestre do ano e que apenas 5% eram consideradas contas falsas ou de spam.

O analista Dan Ives, da Wedbush, disse que o “espetáculo circense” do Twitter pode virar um “espetáculo de terror de sexta-feira 13”.

Investidores de Wall Street podem interpretar o tuíte como uma tentativa de Musk de sair do acordo ou forçar um preço menor, disse Ives.

“A aquisição do Twitter por Musk sempre foi destinada a ser uma estrada acidentada, e agora corre o risco de derrapar”, comentou a analista Susannah Streeter, do Hargreaves Landsdown.

De acordo com ela, o número de spams e de contas falsas – e, do outro lado, o número de contas reais – é um dado crucial porque as futuras fontes de receita dependerão da publicidade ou das assinaturas pagas.

Pouco depois da primeira mensagem de Musk, a ação do grupo caiu quase 20% nas negociações eletrônicas prévias à abertura de Wall Street, a pouco mais de 36 dólares, muito abaixo dos US$ 54,2 por ação oferecidos pelo bilionário em sua proposta de compra.

“Falsa e enganosa”

Musk é CEO da Tesla e SpaceX e sua fortuna é avaliada em 240 bilhões de dólares, segundo a revista Forbes.

Mas seu estilo de gestão já provocou problemas com as autoridades.

Ele enfrenta problemas judiciais desde que tuitou em 2018 que tinha recursos suficientes para retirar a Tesla da Bolsa, uma afirmação que um juiz determinou no mês passado como “falsa e enganosa”.

Sua possível administração da rede social registrou problemas desde que anunciou publicamente a tentativa de compra.

O bilionário disse que é favorável a minimizar a moderação de conteúdo e ao retorno de Donald Trump à plataforma.

O ex-presidente americano foi expulso do Twitter e de outras redes sociais após o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.

Grupos de ativistas pediram que os anunciantes boicotassem a plataforma se Musk abrisse as portas para publicações abusivas e de desinformação.

AFP

AFP
Agência de notícias francesa, uma das maiores do mundo. Fundada em 1835, como Agência Havas.

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