Sociedade

Terra caminha para recordes de calor nos próximos 5 anos

Temperaturas globais devem atingir recorde entre 2026 e 2030. Novo relatório da Organização Meteorológica Mundial aponta 75% de chance de que o aquecimento global supere marca de 1,5 °C, meta do Acordo de Paris

Terra caminha para recordes de calor nos próximos 5 anos
Terra caminha para recordes de calor nos próximos 5 anos
A alta nas temperaturas fez crescer o consumo de água em São Paulo – foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
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A Organização Meteorológica Mundial (OMM) advertiu que as temperaturas médias globais devem permanecer em níveis recordes ou próximos disso entre 2026 e 2030, com alta probabilidade de que o aquecimento ultrapasse temporariamente o limite de 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais, estabelecido pelo Acordo de Paris, em 2015.

Segundo relatório divulgado nesta quinta-feira 28 pela agência da ONU, há 75% de chance de que a média do quinquênio supere esse patamar, além de 91% de probabilidade de que pelo menos um desses anos rompa esse limite. Os anos de 2015 a 2025 foram os 11 mais quentes já registrados, já havia indicado a OMM em março.

O estudo, elaborado com apoio do serviço meteorológico britânico Met Office, também aponta 86% de possibilidade de que um dos próximos cinco anos supere 2024 como o mais quente já registrado. À época, a temperatura média global ficou 1,55 °C acima dos níveis pré-industriais. Para o período analisado, a projeção indica aquecimento entre 1,3°C e 1,9°C.

El Niño pode agravar situação

Especialistas associam esse cenário, em parte, à provável ocorrência de um “super El Niño” em 2026, o que pode elevar ainda mais as temperaturas globais e aumentar as chances de 2027 estabelecer um novo recorde de calor. O El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico equatorial, já foi responsável por intensificar eventos climáticos extremos em anos recentes.

No entanto, de acordo com o boletim, é “extremamente improvável” (menos de 1%) que a temperatura média da superfície global ultrapasse a média de 1850-1900 em mais de 2°C em qualquer um dos próximos cinco anos.

O relatório também destaca impactos regionais do aquecimento, como o aumento mais acentuado das temperaturas no Ártico — que devem ficar cerca de 2,8 °C acima da média recente no inverno — e mudanças nos padrões de precipitação. Há previsão de mais chuvas em regiões de altas latitudes do hemisfério norte, enquanto áreas como a Amazônia podem enfrentar condições mais secas.

Apesar dos alertas, a OMM enfatiza que ultrapassagens pontuais do limite de 1,5°C não significam, por si só, que as metas de longo prazo do Acordo de Paris estejam fora de alcance. Ainda assim, a organização destaca que esses episódios devem se tornar cada vez mais frequentes à medida que o aquecimento global avança.

O perigo de uma elevação maior que 1,5 °C

A escolha de 1,5 não é aleatória. O esforço para impedir que as temperaturas subam acima desse limite tem razões claras. Quanto mais quente o mundo fica, mais as pessoas são expostas ao calor mortal, as nações à elevação do nível do mar e os ecossistemas ao colapso. Por exemplo, o risco de perdas irreversíveis de ecossistemas marinhos e costeiros é muito maior quando 1,5 °C é ultrapassado.

Um relatório publicado no mês passado pela iniciativa internacional de cientistas Atribuição Climática Global e pela organização de pesquisa Climate Central constatou que, desde o Acordo de Paris, o mundo aqueceu 0,3 °C. Mesmo esse aumento aparentemente pequeno se traduz em 11 dias extras mais quentes que o normal por ano.

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