Sustentabilidade

Sem ‘mobilização mundial’ pelo clima, o objetivo de 1,5ºC ’em breve morrerá’, alerta ONU

Para evitar superar esse limite fixado em 2015 pelo Acordo de Paris, as nações devem se comprometer coletivamente a reduzir em 42% das emissões anuais de gases de efeito estufa antes de 2030

Sem ‘mobilização mundial’ pelo clima, o objetivo de 1,5ºC ’em breve morrerá’, alerta ONU
Sem ‘mobilização mundial’ pelo clima, o objetivo de 1,5ºC ’em breve morrerá’, alerta ONU
Prevenção de desastres. Os municípios brasileiros precisam preparar-se para as consequências do aquecimento global – Imagem: GOVSP
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Sem uma “mobilização mundial” pelo clima, o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5ºC “em breve morrerá”, alertou, nesta quinta-feira (24), a ONU em um relatório em que denuncia a falta de avanços significativos no último ano.

Segundo o relatório, publicado a menos de um mês da COP29 no Azerbaijão, sem uma mobilização maciça, o mundo se encaminharia para um aumento da temperatura de 2,6 a 3,1ºC ao longo desse século em relação à era pré-industrial.

“Um aumento de tal magnitude provocaria consequências incapacitantes para as pessoas, o planeta e as economias”, alerta o Pnuma.

“Precisamos de uma mobilização mundial a uma escala e a um ritmo nunca vistos, uma mobilização que comece agora mesmo (…). Caso contrário, o objetivo dos 1,5°C em breve morrerá”, declarou Inger Andersen, diretora-executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Para evitar superar esse limite fixado em 2015 pelo Acordo de Paris, as nações devem se comprometer coletivamente a reduzir em 42% das emissões anuais de gases de efeito estufa antes de 2030 e em 57% até 2035, avalia a ONU.

“Eu peço a todas as nações: chega de promessas de fumaça, por favor! Usem as próximas negociações da COP29 em Baku (Azerbaijão) para intensificar as ações agora”, acrescentou Andersen.

“Brincando com fogo”

“Estamos brincando com fogo (…), mas não há mais tempo a perder”, já que “em todo o mundo, a população já está pagando um preço terrível” pela inação frente ao aquecimento global, destacou o secretário-geral da ONU, António Guterres.

A urgência é ainda maior porque, desde o ano passado, “muito pouco progresso foi feito no sentido de atingir as metas de 2030”, enfatiza Anne Olhoff, redatora científica do relatório.

O relatório é um lembrete da “ladainha histórica de fracassos dos líderes mundiais em lidar com a crise climática com a urgência necessária”, reagiu Tracy Carty, do Greenpeace International. “Mas ainda não é tarde demais”, disse ela.

De acordo com o relatório do Pnuma, “ainda é tecnicamente possível atingir a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C”.

O relatório mostra que há um potencial de redução de emissões em 2030 de até 31 gigatoneladas de CO2 equivalente (representando cerca de 52% das emissões de 2023) e 41 gigatoneladas até 2035.

Mas isso requer “mobilização internacional” e os países do G20, que são responsáveis pela maior parte das emissões totais, “devem fazer o trabalho pesado”, diz a ONU.

Isso também envolveria a implantação acelerada de tecnologias de energia solar fotovoltaica e eólica, diz o relatório.

Outras opções importantes incluem medidas de eficiência energética, eletrificação e substituição de combustíveis fósseis nos setores de construção, transporte e indústria.

O relatório também examina o que seria necessário para limitar o aquecimento global a menos de 2 °C.

“Para atingir essa meta, as emissões devem ser reduzidas em 28% até 2030 e 37% até 2035 (em relação aos níveis de 2019)”, diz ele.

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