Salles chama de ‘sensacionalismo’ céu escuro por fumaça de queimadas

Influência da fumaça das queimadas no céu escurecido foi confirmada por agências meteorológicas e por imagens da NASA

Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles 
Foto: Marcos Corrêa/PR

Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles Foto: Marcos Corrêa/PR

Sustentabilidade

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou em um evento no interior de São Paulo que relacionar o céu escurecido da cidade de São Paulo à queimadas da Amazônia é ‘sensacionalismo ambiental’ e está relacionado a fake news. Na segunda-feira 19, por volta das 15h30, o céu da capital paulistana se escureceu e a chuva que caiu rendeu coletas de água preta.

Meteorologistas confirmaram que uma frente fria em união a um corredor de fumaça, causado pelas queimadas que estão ocorrendo na região amazônica, no Paraguai e na Bolívia, foram os causadores do fenômeno.

“Alguns disseram que foi a fumaça da Amazônia que encobriu a cidade. Essa afirmação parece até um vídeo que vi, um mês atrás, de um helicóptero do Ibama sendo recebido a tiros e, meia hora depois, mostrou que foi um menino que fez montagem”, disse o ministro.

“É preciso ter equilíbrio e não ser açodado em assumir certas hipóteses que não se confirmam. Hipóteses foram levantadas prontamente para criar um certo sensacionalismo e não se confirmaram”, acrescentou depois de questionado sobre os eventos em São Paulo e em outras regiões do País.

Segundo o Climatempo, a fumaça mudou de direção por conta da frente fria e foi direcionada, também, para a região sul do Mato Grosso, para o Mato Grosso do Sul e Paraná. Imagens da NASA, a agência especial norte-americana, captaram como o deslocamento dessa massa ocorreu.

Número de queimadas bate recorde em 2019

No mesmo evento, Ricardo Salles também destacou que o clima seco da região do centro-oeste brasileiro é um dos fatores de influência para o alastramento das queimadas. “Estamos fazendo o máximo de esforço que podemos. Isso decorre de um tempo muito seco e há portanto essa maior incidência de queimadas”, afirmou.

No entanto, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), organização brasileira que estuda desdobramentos científicos na região, afirmou que a umidade da Amazônia em 2019 é maior do que nos últimos três anos, incluindo 2016, quando a região sofreu duras penas com o fenômeno climático do El Niño, que diminui a umidade das massas de ar que se movem pela região.

O IPAM também afirmou, em nota, que o número de focos de calor em 2019 é o maior em três anos, e as práticas comumente utilizadas para “limpar” o terreno pós-desmatamento podem explicar o fogo.

“Se a seca não explica as queimadas atuais, a retomada da derrubada da floresta faz isso. O fogo é normalmente usado para limpar o terreno depois do desmatamento, e a relação entre os dois fatores é positiva em uma análise entre os focos de calor e o registro de derrubada feito pelo Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD)”, diz texto de nota técnica. “Mesmo em uma estiagem menos intensa do que em 2016, quando sofremos com um El Niño muito forte, o risco do fogo escapar é alto.”

 

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