Proteger o meio ambiente é mais importante que crescimento econômico para 77% dos brasileiros, diz pesquisa

Além disso, 74% discordam que o desmatamento da Amazônia é justificável pelo crescimento da economia

Foto: Ricardo Azouryi/Istockphoto

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Sustentabilidade

Uma pesquisa inédita sobre a percepção dos brasileiros sobre as mudanças climáticas e as queimadas na Amazônia, publicada nesta quinta-feira 04, mostra que 77% dos brasileiros considera a preservação mais importante do que o crescimento econômico caso este implique em destruição.

A pesquisa foi realizada pelo IBOPE Inteligência a pedido do Instituto de Tecnologia e Sociedade – ITS Rio, em parceria com o Programa de Comunicação de Mudanças Climáticas da Universidade de Yale, dos Estados Unidos.

Os resultados mostraram que cerca de metade da população entrevistada (54%) acredita que cabe ao governo contribuir para a solução do problema das queimadas na região amazônica, e um terço das menções culpabiliza a classe política pelo fogo.

Além disso, 74% discordam que o desmatamento da Amazônia é justificável pelo crescimento da economia, índice semelhante à preservação do meio ambiente no geral.

No cenário das mudanças climáticas, os brasileiros são quase unânimes (92%) em acreditar nos processo de aquecimento global a que o mundo está submetido, e cerca de oito em cada dez consideram que ele é causado principalmente pela ação humana (77%). Além disso, sete em cada dez brasileiros consideram que o o processo “pode prejudicar muito a si e a suas famílias”.

“Não há no Brasil um contexto de negacionismo do aquecimento global”, afirmou Rosi Rosendo, diretora de contas da IBOPE Inteligência.

A pesquisa mostra que os jovens e os mais escolarizados, no cenário geral, são os que mais se importam com o aquecimento global, assim como as mulheres e os que se encontram mais à esquerda no espectro político se preocupam mais com o meio ambiente.

Houve também um questionamento sobre alinhamentos no espectro político para medir as opiniões dos entrevistados: 16% se colocaram mais à esquerda, 25% se identifica como centro, 33% está mais à direita e 25% não soube ou não respondeu.

Em relação ao conhecimento sobre o tema, o acesso a internet também se mostrou na pesquisa como um indicativo de diferença. Cerca de 86% dos entrevistados afirmou se informar mais com conversas com amigos e colegas de trabalho, com o WhatsApp como mecanismo de informação logo em segundo lugar (69%). Com esse cenário, 59% dos que não possuem acesso à internet consideram o aquecimento global “muito importante” em comparação com os 78% do índice geral.

Realizada por telefone com 2.600 entrevistados, esta é a primeira de uma série de pesquisas anuais com enfoques específicos. Para o questionamento realizado em 2020, o foco escolhido foram as queimadas na Amazônia.

Queimadas na Amazônia

Enquanto foco da primeira pesquisa, as queimadas na Amazônia são de conhecimento de 98% dos entrevistados, sendo que 82% acreditam que esse índice aumentou nos dois últimos anos.

A percepção é de que as queimadas são causadas pela ação humana (77%), e um em cada dez brasileiros atribuiu aos políticos a responsabilidade por essas queimadas. Os outros principais responsáveis seriam os madeireiros (33%), os pecuaristas e criadores de animais (18%) e os agricultores (18%). Apenas 2% apontam os povos indígenas como causadores das queimadas, o que contrasta com repetidas alegações do presidente Jair Bolsonaro.

Além disso, 84% concordam que as queimadas na Amazônia prejudicam a imagem do Brasil no exterior. A taxa vai para 78% quando se trata de possíveis interferências nas relações comerciais do País internacionalmente.

Confira a pesquisa na íntegra.

 

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