Economia

ONG vai ao Cade e cobra análise de impacto ambiental na compra do Big pelo Carrefour

O conselho deve analisar a negociação nesta quarta 25; o Proam argumenta que a livre concorrência não pode contrastar com proteção ambiental e justiça social

Foto: Divulgação
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A análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica sobre a compra do grupo Big pelo Carrefour, que envolve mais de 7 bilhões de reais, deve levar em conta os impactos ambientais decorrentes de produtos como o açúcar e o etanol. A avaliação consta de ofício protocolado no Cade pelo Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, o Proam.

A organização não-governamental não mira apenas a negociação entre Carrefour e Big, mas processos gerais que envolvem grandes redes de supermercado. Como o Cade deve julgar a compra do Big nesta quarta-feira 25, porém, há uma oportunidade para cobrar regulamentação ambiental.

No ofício, o Proam argumenta que o princípio da livre concorrência tem de ser compreendido simultaneamente aos valores de proteção ambiental e justiça social. Por isso, prossegue a ONG, o Cade tem de reformular a sua política antitruste e levar em consideração “a questão socioambiental” em suas decisões.

De forma concreta, o Proam argumenta que o Cade deve exigir ao menos a apresentação de um plano de conformidade socioambiental dos interessados na negociação, “mediante diretrizes construídas com participação social e diálogo com as entidades representativas de outros segmentos, além dos econômicos”.

No caso específico da compra do Big pelo Carrefour, o presidente do Proam, Carlos Bocuhy, diz esperar que o Cade “utilize critérios ambientais” e avalie “o impacto ao meio ambiente na aquisição de açúcar e etanol produzidos com a queima da cana, de forma a baratear o processo, em vez da colheita mecânica, mais sustentável”.

O ofício do Proam no Cade destaca que na cadeia de produção da cana de açúcar ocorre “o cultivo de plantações nos biomas amazônico, Alto Paraguai (Pantanal) e Cerrado, os quais são extremamente suscetíveis de sofrerem gravames em razão do desmatamento e da prática do monocultivo homogêneo, como empobrecimento do solo, uso intensivo de agroquímicos em prejuízo da biodiversidade e da saúde humana, além do estresse hídrico que ocorreria em algumas regiões do cerrado e da área conhecida como Matopiba (Maranhão, Piauí e Oeste Baiano)”.

A peça também cita os impactos sobre a transposição e a umidade continental essenciais à produção de chuvas. O alerta é de que “o avanço da fronteira agrícola canavieira, em direção ao bioma da Amazônia e do Pantanal, além da destruição da floresta nativa e suas riquezas naturais (…), ainda tem o condão de impactar, sobretudo, os estados do Sul e do Sudeste”.

Na última quinta-feira 19, a assembleia de acionistas do Carrefour Brasil aprovou a compra do Grupo Big por mais de 7 bilhões de reais.

CartaCapital
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