Sustentabilidade
Mais ricos emitem dobro de CO2 em relação a população mais pobre, diz Oxfam
Em 25 anos, as emissões globais de CO2, responsáveis pelo aquecimento do planeta, aumentaram quase 60%
A parte da população mundial que corresponde ao 1% mais rico emite o dobro de gases poluentes em relação à metade mais pobre do planeta. É o que constata um relatório publicado nesta segunda-feira 21 pela Oxfam, que pede “justiça social e climática” nos pacotes de estímulo pós-pandemia.
A ONG examinou o período 1990-2015. Em 25 anos, as emissões globais de CO2, responsáveis pelo aquecimento do planeta, aumentaram quase 60%. Nesse período, a média da temperatura subiu 1°C desde a era pré-industrial.
De acordo com as análises da Oxfam, “o 1% mais rico da população (quase 63 milhões de pessoas) foi responsável por 15% das emissões acumuladas, ou seja, o dobro em comparação à metade mais pobre da população mundial”. Já os 10% mais ricos (630 milhões de pessoas) foram responsáveis por 52% das emissões acumuladas de CO2.
“Nos últimos 20 a 30 anos, a crise climática se agravou e o limitado orçamento global de carbono foi dilapidado para intensificar o consumo de uma população rica, não para tirar as pessoas da pobreza”, denuncia a Oxfam.
Segundo a ONG, os grupos que “mais sofrem esta injustiça são os menos responsáveis pela crise climática: os mais pobres e as gerações futuras”, diz a organização, que faz um apelo aos governos de todo o mundo para que retifiquem a situação e coloquem a justiça social e a luta contra a mudança climática no centro dos planos de recuperação econômica para depois da pandemia do novo coronavírus.
Modelo econômico poluidor não beneficiou mais pobres
“Está claro que o modelo de crescimento econômico muito desigual e emissor de carbono dos últimos 20 a 30 anos não beneficiou a metade mais pobre da humanidade”, declarou Tim Gore, especialista da ONG. “É uma dicotomia sugerir que temos que escolher entre o crescimento econômico e o clima”, completou.
A pandemia de Covid-19 inevitavelmente trouxe à tona a necessidade de reconstruir melhor e colocar a economia mundial em um caminho mais justo, mais sustentável e mais resistente”, afirma no relatório o ex-secretário-geral da ONU Ban Ki-moon. “O compromisso coletivo deve ter como prioridade reduzir as emissões de CO2 da faixa mais rica da sociedade, que contamina de forma desproporcional”, completa.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.



