Sustentabilidade
Governo de Goiás acusa governo federal de usar produto não autorizado para conter incêndio
Ministro Ricardo Salles afirmou que aviões despejaram água juntamente com retardante de fogo na Chapada dos Veadeiros na última semana
O governo de Goiás afirmou nesta terça-feira 13 que não é autorizado o uso de retardante de fogo na região da Área de Proteção Ambiental (APA) do Pouso Alto, ao redor do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.
Em vídeo publicado pelo governo federal, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que o produto foi utilizado para combater o incêndio que destruiu mais de 75 mil hectares de vegetação na região semana passada. O produto retardante, afirmou Salles, foi usado junto com a água despejada pelos aviões.
Em nota, via Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o governo goiano informou que não foi consultado sobre o lançamento do retardante na área e que “não há nenhuma regulamentação” sobre o produto no estado.
“O Governo de Goiás, por meio de Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), informa que não há nenhuma regulamentação sobre o referido produto químico em Goiás; que não foi consultado sobre sua utilização; e que não é autorizado o uso do mesmo dentro da Área de Proteção Ambiental do Pouso Alto, de gestão sob responsabilidade do governo goiano”.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por sua vez, divulgou nota em seu site, na noite da segunda-feira 12, dizendo que não há legislação que proíba o uso dos retardantes.
“Não há vedação legal ou regulamento que estabeleça exigência governamental na forma de registro ou autorização de uso de produtos retardantes de chama, não havendo proibição no uso e nem critérios legais estabelecidos que devam ser obrigatoriamente observados para sua utilização no Brasil”, diz o texto do Ibama.
A nota afirma ainda que “em muitos países o combate químico já é bastante difundido. Canadá, Estados Unidos e diversos países da Europa aderem a estas tecnologias com sucesso”.
O uso do produto também foi criticado por moradores da região da Chapada dos Veadeiros que protestaram pedindo a saída de Salles quando ele esteve na região, no fim de semana. Em nota, a assessoria do Ministério do Meio Ambiente disse que “a opinião de meia dúzia de maconheiros não tem relevância”.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.



