Desprestigiado, Bolsonaro promete zerar desmatamento ilegal e antecipa meta de carbono na Cúpula do Clima

Presidente diz que Brasil alcançará neutralidade em 2030 e elogiou fiscalização ambiental, mesmo com Ibama e ICMBio depauperados

Bolsonaro discursa na Cúpula do Clima de 2021 (Foto: Reprodução/Leaders Summit)

Bolsonaro discursa na Cúpula do Clima de 2021 (Foto: Reprodução/Leaders Summit)

Sustentabilidade

Em discurso na cúpula climática organizada pelo presidente Joe Biden, o presidente Jair Bolsonaro, nesta quinta-feira 22, prometeu que o País atingirá a neutralidade de carbono em 2050 – meta mais ambiciosa que a declarada no fim de 2020, que previa 2060 como ano limite para o feito.

O presidente prometeu que o Brasil alcançará a neutralidade de carbono até 2050, reduzindo em 10 anos a sinalização anterior, que havia acrescentado esse mesmo período às metas definidas em 2015, na assinatura do Acordo de Paris. Também se comprometeu a eliminar o desmatamento ilegal até 2030.

 

 

 

Em seu discurso, o presidente também afirmou que tem fortalecido organizações de fiscalização. No entanto, o Ibama e o ICMBio, principais autarquias responsáveis pela fiscalização ambiental, têm operado com orçamentos abaixo da média histórica. Na previsão do Orçamento 2021, o Ibama deverá contar com o menor valor em pelo menos 20 anos.

“Medidas de comando e controle são parte da resposta. Apesar das limitações orçamentárias do Governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais, duplicando os recursos destinados a ações de fiscalização”, afirmou.

“Somos um dos poucos países em desenvolvimento a adotar e reafirmar uma NDC [meta de determinação de carbono] transversal e abrangente, com metas absolutas de redução de emissões inclusive para 2025, de 37%, e de 43% até 203o”, completou.

Não houve menções aos recordes de desmatamento na Amazônia atingidos em seu governo, e sim a promessa de acabar com o desmatamento ilegal até 2030, o que há havia sido aventado em carta direcionada a Biden na última semana. No discurso, Bolsonaro também não citou as metas de redução de desmatamento na região estabelecidas por Hamilton Mourão no Conselho da Amazônia Legal.

Ao longo de seu pronunciamento, Bolsonaro também amparou-se em conquistas ambientais atingidas no passado e,  alinhado a outros líderes, cobrou que os países ricos distribuam recursos a países em desenvolvimento. “É preciso haver justa remuneração pelos serviços ambientais prestados por nossos biomas ao planeta, como forma de reconhecer o caráter econômico das atividades de conservação”, declarou.

 

Brasil fica fora de ‘nova ordem mundial’, diz organização

Em nota emitida após o pronunciamento de Bolsonaro, a organização Observatório do Clima, que reúne ONGs ambientalistas, afirmou que a Cúpula aponta para a construção de uma nova ordem mundial devido aos planos anunciados por países como Japão, Canadá e Reino Unido. Para o Observatório, o governo Bolsonaro optou por ficar fora desse esforço.

“O país tem um dos ativos mais importantes dessa nova ordem, a Amazônia, mas o regime de Jair Bolsonaro prefere entregá-lo a grileiros de terra, garimpeiros, pecuaristas predatórios e madeireiros ilegais. Tem sol, vento e biocombustível à vontade, mas prefere subsidiar petróleo. Regride na ambição de suas metas climáticas para admitir mais desmatamento e mais emissões quando o Acordo de Paris começa enfim a ser levado a sério.”, escrevem.

“O Brasil sai da cúpula dos líderes como entrou: desacreditado. Bolsonaro passou metade de sua fala pedindo ao mundo dinheiro por conquistas ambientais anteriores, que seu governo tenta destruir desde o dia da posse”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.

 

*Matéria em atualização

 

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