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Desmatamento desacelera no mundo, mas ainda se propaga rápido no Brasil, alerta FAO

A preservação das florestas será tema central da COP30, em Belém, ocasião em que o governo deve ampliar a pressão pela criação de um fundo global de proteção da flora

Desmatamento desacelera no mundo, mas ainda se propaga rápido no Brasil, alerta FAO
Desmatamento desacelera no mundo, mas ainda se propaga rápido no Brasil, alerta FAO
Uma empresa madeireira em São Félix do Xingu, estado do Pará, Brasil, em 21 de junho de 2025. Estado será a sede da COP30. Foto: Nelson ALMEIDA / AFP
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Os desmatamentos e incêndios que reduzem a superfície florestal mundial diminuíram seu ritmo, mas ainda se propagam muito rapidamente, especialmente no Brasil, informou nesta terça-feira 21 a FAO, a organização da ONU para a Alimentação e Agricultura.

Considerando as plantações florestais, a “perda líquida” de florestas foi de 4,12 milhões de hectares por ano no período de 2015-2025, ou seja, duas ou três vezes menos do que entre 1990 e 2000.

No entanto, “os ecossistemas florestais do mundo continuam enfrentando grandes dificuldades, com um ritmo de desmatamento ainda muito elevado, de 10,9 milhões de hectares por ano”, destacou a FAO em um comunicado sobre sua Avaliação dos Recursos Florestais Mundiais, realizada a cada cinco anos.

Isso equivale a mais de 12 km² de florestas destruídas por hora.

A FAO, aludindo à complexidade das dinâmicas do uso da terra, não apresenta razões detalhadas para explicar o desmatamento. A maior parte ocorre nas zonas tropicais, onde se concentra 88% do desmatamento mundial, e particularmente na Amazônia, onde a agricultura exerce a maior pressão.

O Brasil é responsável por mais de 70% desta perda líquida, com 2,94 milhões de hectares por ano, embora abrigue 12% das florestas do planeta.

“O Brasil informou sobre uma redução importante no ritmo de perda líquida de florestas”, destaca a FAO. Ela quase se reduziu pela metade (-49%) em comparação com a última década do século XX.

Segundo o observatório Global Forest Watch, a destruição das florestas tropicais virgens atingiu em 2024 um ritmo nunca visto desde 2002, principalmente devido às queimadas.

Por outro lado, em 2023, a Amazônia se beneficiou das medidas de proteção impulsionadas pelo governo brasileiro.

Em novembro, o país será anfitrião da COP30, a conferência da ONU sobre o clima, que acontecerá em Belém do Pará, onde as florestas serão um dos temas centrais.

O Brasil propõe a criação de um fundo para as florestas tropicais (TFFF), destinado a financiar a proteção florestal frente às pressões econômicas.

As florestas “constituem o habitat de grande parte da biodiversidade do planeta, ajudam a regular os ciclos globais do carbono e da água, e podem reduzir os riscos e impactos das secas, da desertificação, da erosão do solo, dos deslizamentos de terra e das enchentes”, escreveu o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu.

Atualmente, as florestas cobrem 4,14 bilhões de hectares, ou seja, 32% da área terrestre. Cinco grandes países reúnem mais da metade das florestas do mundo: Rússia, Brasil, Canadá, Estados Unidos e China.

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