Comboio de balsas lotadas de madeira é filmado no Pará

Imagens foram gravadas no dia 22 de agosto e mostram gigante carregamento sendo conduzido por um empurrador

(Foto: Celivaldo Carneiro)

(Foto: Celivaldo Carneiro)

Sustentabilidade

O vídeo de um comboio de balsas abarrotadas de madeira descendo o rio Arapiuns, no Pará, em direção ao Tapajós, que está sendo compartilhado nas redes sociais após ser publicado pelo jornalista Celivaldo Carneiro, é recente. As imagens foram gravadas no dia 22 de agosto, por volta das 7h, e mostram o gigante carregamento sendo conduzido por um empurrador.

 

“Isso aqui é uma balsa de madeira. São quatro balsas de exploração de madeira saindo na boca do rio Arapiuns. Não posso imaginar nem quantos metros cúbicos [de madeira] seria. Olha a quantidade de madeira”, diz o jornalista.

 

 

A notícia foi publicada no portal Jeso Carneiro e no jornal Gazeta de Santarém, que afirmaram ter entrado em contato com as autoridades ambientais do estado sobre o caso.

A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) do Pará disse, em nota, que iria notificar a Marinha brasileira para atuar no caso a fim de localizar o comboio e verificar se as toras são de madeira ilegal.

“O objetivo é localizar o referido comboio com a carga e fazer a devida abordagem. A Capitania dos Portos e a Marinha do Brasil são parceiras dos órgãos ambientais no Pará, sempre colaborando e prestando apoio nas ações fluviais”, afirmou o órgão.

Uma fonte ouvida por CartaCapital aponta que, pela dimensão do super carregamento e pela Semas não ter identificado de pronto a embarcação, há indícios de que a madeira seja de origem ilegal.

Além disso, há inconsistência sobre o tamanho da embarcação e as regras definidas para a prática do manejo sustentável – uma autorização da exploração da madeira feita de forma sustentável.

De acordo com o site da Fundação Florestal, órgão ligado ao Ministério da Agricultura e responsável pelas autorizações de manejo, “a área concedida é manejada em um sistema de rodízio, o que permite a produção contínua e sustentável de madeira. Apenas de quatro a seis árvores são retiradas por hectare, área equivalente a um campo de futebol oficial.”

A reportagem entrou em contato com a Semas e com a Marinha, mas, até a publicação, não obteve resposta.

Na terça-feira 1, a Semas apresentou os resultados da terceira fase da Operação Amazônia Viva, que, segundo o órgão ambiental, visa “a diminuição progressiva do desmatamento no Pará”.

A operação aconteceu entre os dias 17 e 29 de agosto, mas não há menção ao carregamento mostrado nas imagens, já que as áreas compreendidas não são as mesmas da filmagem.

O secretário da pasta, José Mauro de Almeida, afirmou que a atuação da secretaria precisa de mais apoio, sobretudo, do governo federal.

“Considerando que as áreas federais totalizam quase 70% do território paraense, carecemos de uma atuação conjunta, com recursos federais para avançar ainda mais e alcançar resultados mais expressivos nessas áreas”, disse.

 

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