Política
Vereador do PL é preso no Rio de Janeiro por suspeita de envolvimento com a facção criminosa TCP
Segundo a Polícia Civil, Ernane Aleixo, de São João de Meriti, seria responsável por oferecer suporte e materiais para a construção de barricadas. Ele também trocaria cargos por apoio político
O vereador Ernane Aleixo, do PL de São João de Meriti (RJ), foi preso na manhã desta terça-feira 25 por suposto envolvimento com a facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP).
O político é apontado pelos investigadores como responsável por oferecer suporte e materiais para a construção de barricadas usadas pelo crime organizado no Rio de Janeiro. Outras quatro pessoas também foram detidas na operação.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, que conduz a ação desta terça, Aleixo trocaria cargos por apoio político nos territórios dominados pelo TCP. A relação do vereador do PL com o crime organizado foi captada em áudios e mensagens de texto.
“A operação atinge o coração logístico e financeiro do esquema, que se sustenta por vínculos diretos com agentes políticos locais. As apurações indicam que essa rede de ‘favores’ oferecia suporte logístico e operacional em troca de benefícios financeiros e eleitorais”, diz a PCERJ em nota.
Aleixo, na última eleição, recebeu 6.720 votos, a terceira maior votação da cidade. Esse é o quinto mandato consecutivo exercido pelo político. Em seu perfil oficial no site da Câmara de Vereadores, ele se define como “um homem integro, honesto e cumpridor dos seus deveres”.
CartaCapital tenta localizar a defesa do vereador para comentários sobre a prisão. O PL também foi procurado, mas ainda não se pronunciou. O espaço segue aberto.
A Câmara de São João de Meriti, por sua vez, disse ter tomado conhecimento do caso pela imprensa e que aguardava ser notificada oficialmente. “Ressaltamos que qualquer fato relacionado a agentes públicos deve ser analisado com cautela e dentro do devido processo”, diz o comunicado.
Oito mandados de prisão e 36 de busca e apreensão
A PCERJ tenta cumprir, nesta manhã, oito mandados de prisão e 36 mandados de busca e apreensão contra alvos espalhados por São João de Meriti e Belford Roxo. Como a ação ainda está em andamento, as identidades dos demais alvos ainda não foram divulgadas.
“A investigação revelou o modus operandi da organização criminosa, que mescla tráfico de drogas, homicídios, extorsão qualificada de proprietários de estabelecimentos e lavagem de dinheiro, utilizando armas de fogo de uso restrito”, descreve a PCERJ.
A ação desta terça foi batizada de Muro de Favores, em referência ao papel do vereador no esquema criminoso. A operação também integra uma série de iniciativas contra barricadas do crime organizado no Rio de Janeiro.
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