Saúde
Técnicos de enfermagem apresentam versões divergentes em investigação sobre mortes na UTI do DF
Depoimentos revelam contradições e alegações de estresse em caso que apura a morte de três pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga
Os três técnicos de enfermagem suspeitos de envolvimento nas mortes de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), apresentaram versões divergentes em seus depoimentos à Polícia Civil, que investiga o caso. As mortes ocorreram em novembro e dezembro de 2025 e são tratadas como homicídios.
O caso veio a público após uma apuração interna do hospital e deu origem à Operação Anúbis. Os três profissionais foram presos e afastados das funções.
Apontado como principal suspeito, Marcos Vinícius Silva Barbosa afirmou inicialmente não ter participação nas mortes. Confrontado posteriormente com imagens do circuito interno de segurança do hospital, mudou sua versão. Em um dos relatos, declarou que teria agido para “abreviar o sofrimento” dos pacientes. Em outro momento, atribuiu sua conduta ao nervosismo e ao estresse vividos durante os plantões, marcados por situações de pressão e tumulto.
Segundo a apuração policial, Barbosa teria acessado indevidamente o sistema interno do hospital usando credenciais de um médico, prescrito medicamentos sem autorização e administrado substâncias diretamente na veia dos pacientes. Em um dos casos, quando o medicamento acabou, ele teria recorrido à aplicação de desinfetante.
Marcela Camilly Alves da Silva, também investigada, afirmou em depoimento que não tinha conhecimento do conteúdo que estava sendo aplicado nos pacientes. Ela declarou arrependimento por não ter comunicado a equipe médica ou a direção do hospital sobre as ações do colega. A Polícia Civil investiga se houve negligência ou participação direta da técnica, que, segundo os investigadores, acompanhava os procedimentos no setor.
Já Amanda Rodrigues de Sousa negou qualquer envolvimento nos crimes. Em seu depoimento, afirmou acreditar que Marcos aplicava apenas medicamentos de uso regular na UTI. A investigação aponta que ela trabalhava em outro setor do hospital, mas mantinha vínculo de amizade com o principal suspeito.
O que a investigação apura
De acordo com a Polícia Civil, as aplicações ocorreram em pelo menos duas datas e resultaram em paradas cardíacas súbitas nos pacientes, sem agravamento clínico progressivo que justificasse os óbitos. As ações teriam sido registradas por câmeras de segurança, e os investigadores afirmam que, após as injeções, havia tentativas de simular manobras de reanimação.
Os três técnicos são investigados por homicídio qualificado, além de possíveis crimes relacionados à negligência e coautoria. A polícia também apura se há outras vítimas, tanto no Hospital Anchieta quanto em outras unidades onde os profissionais tenham trabalhado anteriormente. A motivação dos crimes ainda não foi esclarecida.
O que diz o hospital
Em nota, o Hospital Anchieta informou que instaurou uma investigação interna ao identificar circunstâncias atípicas em três óbitos na UTI. Após a conclusão do processo, a unidade acionou a Polícia Civil, demitiu os técnicos envolvidos e comunicou as famílias das vítimas. O hospital afirma colaborar integralmente com as autoridades.
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