Cultura

Suicídio de colega traz à tona denúncias de trabalhadores do Sesc de São Paulo

Coletivo anônimo relata pressão por resultados, assédio e falta de políticas de cuidado

Suicídio de colega traz à tona denúncias de trabalhadores do Sesc de São Paulo
Suicídio de colega traz à tona denúncias de trabalhadores do Sesc de São Paulo
Créditos: Divulgação Sesc
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O último sábado 28 começou como um dia comum no Sesc Pompeia, na zona oeste de São Paulo. Frequentadores e trabalhadores que chegaram à unidade perto das 19h, no entanto, foram surpreendidos por um aviso inesperado: todas as atividades programadas haviam sido suspensas, incluindo dois shows. A justificativa oficial falava em problemas técnicos.

Dias depois, veio à tona o motivo real. Um funcionário havia tirado a própria vida dentro da unidade.

O episódio desencadeou uma reação entre funcionários da instituição, que divulgaram uma nota de luto e pesar, mas também de questionamento sobre as condições de trabalho no Sesc em São Paulo.

“Precisamos falar sobre omissões. Quanto tempo o Sesc permanecerá em silêncio diante do sofrimento cotidiano de trabalhadores de todos os setores? Até quando seremos tratados como peças substituíveis de uma engrenagem que não pode parar? Quantos empregados do Sesc SP já se suicidaram?”, questiona um trecho da nota divulgada por um grupo anônimo, que assina como Coletivos de Trabalhadores e Trabalhadoras do SESC.

O texto descreve um cotidiano marcado por sobrecarga, pressão por metas, episódios de assédio, perda de direitos e falta de políticas efetivas de cuidado com a saúde mental. Segundo o grupo, esse cenário tem produzido um ambiente de desgaste emocional contínuo.

“Quando o trabalhador esgota suas estratégias individuais de sobrevivência e as instâncias coletivas não correspondem, o desfecho deixa de ser inesperado e passa a ser uma tragédia anunciada”, diz outro trecho.

A tensão entre a imagem pública do Sesc e a realidade interna relatada por funcionários aparece com frequência nos depoimentos. Um trabalhador da instituição há mais de dez anos, que falou sob condição de anonimato a CartaCapital, descreve um contraste entre a experiência oferecida ao público e o cotidiano vivido pelos empregados.

“Existe o Sesc que o comerciário frequentador conhece e existe o que a gente que trabalha vive e conhece”, afirma. “A gente vende qualidade de vida para quem vem até aqui, mas o modelo de gestão é o do capitalismo puro e simples.”

Segundo ele, a cultura institucional tem se tornado cada vez mais orientada por metas e resultados. “Já trabalhei em palestra sobre acolhimento e, na preparação da atividade, sofri assédio. É muita demagogia.”

O Departamento Regional do Sesc São Paulo é atualmente dirigido por Luiz Deoclecio Massaro Galina, que assumiu o cargo após a morte de Danilo Santos de Miranda, em 2023, figura histórica da instituição.

Procurado pela reportagem, o Sesc foi questionado sobre o caso e sobre a existência de políticas estruturadas de saúde mental para os funcionários, bem como sobre a existência de canais seguros para denúncias de assédio e abusos no ambiente de trabalho. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta.

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