‘Se deixasse na mão das autoridades, a tal da gripezinha teria matado muito mais’, diz Jurema Werneck

Diretora-executiva da Anistia Internacional destacou mobilizações sociais na apresentação do relatório anual da organização

Doação de alimentos feita pelo MST (Foto: Giorgia Prates/MST)

Doação de alimentos feita pelo MST (Foto: Giorgia Prates/MST)

Sociedade

Entre os protagonismos possíveis em uma pandemia, o que melhor cabe ao Brasil é o da morte. O País, que registrou recorde de 4.195 óbitos na terça-feira 06, caminha a passos lentos na vacinação contra o vírus e ainda debate, de forma isolada no mundo, a possibilidade do setor privado poder “furar a fila” da vacinação.

O cenário, no entanto, poderia ser pior se não fossem os movimentos sociais organizados, afirmou a diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil, Jurema Werneck, na apresentação do Relatório Anual da organização referente aos direitos humanos no ano de 2020, publicado nesta quarta-feira 07.

“A gente está vivendo um péssimo momento, mas é preciso dizer que foi a luta e a mobilização das pessoas que fez a diferença”, afirmou Jurema Werneck. O papel da sociedade está fazendo a diferença. Estamos levando a comida a quem tem fome, equipamentos de proteção individual a quem precisa, água a quem precisa, e tem sido importante para frear o ímpeto negacionista das autoridades. Se deixasse na mão das autoridades, a tal da gripezinha teria matado muito mais gente.”

O destaque inevitável do relatório são as consequências geradas pela pandemia de coronavírus, mas também iniciativas da sociedade civil que pautaram protestos ao redor do mundo.

Como exemplo, Werneck citou as manifestações organizadas pelo Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) após o assassinato do norte-americano George Floyd, morto asfixiado por um policial que permaneceu com o joelho em seu pescoço por mais de 9 minutos.

Na América Latina, a diretora-executiva destacou a aprovação da Lei do Aborto na Argentina, responsável por descriminalizar e regulamentar a interrupção voluntária da gravidez até 14 semanas.

Entre os destaques no Brasil, a organização destacou o uso excessivo da força para reprimir protestos na época do apagão no Amapá e a proibição de operações policiais no Rio de Janeiro enquanto durar a emergência de saúde pública – uma determinação do Supremo Tribunal Federal que diminuiu o número de mortes em 74% mas tem sido violada nos últimos meses.

 

 

No debate global, Werneck também declarou que o mundo vê com ressalvas as políticas ambientais aplicadas no Brasil e, em especial, os impactos do aumento do desmatamento na vida da população indígena. Para Werneck, o Brasil não pode utilizar a “retórica do sequestrador” para exigir recursos externos e, somente então, trabalhar em planos de redução da destruição dos biomas, em especial, da Amazônia.

Por trás do desastre ambiental, há violações de direitos humanos. A condição de vida das pessoas está sob risco e ameaça. Essa retórica de que você me paga e eu salvo parece retórica de sequestrador, não é adequada para um representante do país utilizar. O Brasil já tem obrigações e mecanismos que tem sido desmantelados que precisam ser colocados em prática.”

Responda nossa pesquisa e nos ajude a entender o que nossos leitores esperam de CartaCapital

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

É repórter do site de CartaCapital.

Compartilhar postagem