Sociedade

Dia Internacional da Mulher

Quem são as mulheres do 8 de março

por Victória Damasceno — publicado 09/03/2017 12h41, última modificação 09/03/2017 12h48
As manifestantes da Marcha das Mulheres explicam os motivos que as levaram às ruas
Victória Damasceno
Marcha das mulheres

Segundo os organizadores, cerca de 30 mil pessoas estavam presentes na marcha

Aos gritos de "Aposentadoria fica e Temer sai", uma das diversas marchas das mulheres ocorridas em São Paulo se reuniu na Praça da Sé com destino à Praça da República e teve como foco principal a Reforma da Previdência proposta por Michel Temer.

Segundo os organizadores da marcha, cerca de 30 mil manifestantes se reuniram na tarde de quarta-feira 8. A Polícia Militar não estimou o número de participantes. 

CartaCapital esteve presente na Praça da Sé para entender quais motivos levaram as mulheres às ruas:

Guarani
Mbo’yjagua’i é representante do Conselho das Mulheres do Mato Grosso do Sul (Victória Damasceno)
Mbo’yjagua’i, em português Clara. Da etnia Guarani Kaiowá do Mato Grosso do Sul. “Nossa luta é divulgar principalmente a violência contra as mulheres indígenas, o genocídio que está acontecendo no Mato Grosso do Sul. Estão exterminando os povos indígenas. Então a minha vinda pra cá é para demonstrar como nós somos tão discriminadas e estamos na lista de extermínio. Não é apenas denunciar, mas contar o nosso sofrimento, de como as mulheres indígenas estão sofrendo de várias violências.”

Alaíde
Alaíde Salles de Andrade é militante do movimento de moradia (Victória Damasceno)
Alaíde Salles de Andrade, professora aposentada, de São Paulo. "Eu faço parte do movimento de moradia e estou aqui para fomentar a movimentação. O dia 8 é muito importante para todas as mulheres. Sou aposentada, professora e creio que tenho que dar também a minha contribuição, a minha presença."

Estudante
Kethelyn Alessandra Verona Narciso, 16 anos, é estudante no bairro da Casa Verde (Victória Damasceno)
Kethelyn Alessandra Verona Narciso, estudante, de São Paulo. “O dia da mulher não é um dia de comemoração. É um dia de luta e resistência. Eu acho que mesmo depois de tudo o que passamos, tem muito a que conquistar. Temos que conquistar porque é um direito nosso. Infelizmente na nossa sociedade a gente não possui os privilégios que os homens têm, e nós devemos lutar e resistir por isso.”

Anarco
Maria Helena Bonifácio foi até a marcha para representar o coletivo anarcofeminista que faz parte (Victória Damasceno)
Maria Helena Bonifácio, Coletivo Anarcofeminista Marãna, de São Caetano do Sul. “A gente sempre está na luta em prol das mulheres, e por isso é fundamental estarmos aqui no oito de março. Todos os nossos direitos aos invés de estarem avançando, estão retrocedendo. Nós temos que estar na luta não somente para mantermos o que já temos, mas para podermos avançar.”

Historiadora
Giselle dos Anjos Santos trabalha como historiadora no Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) (Victória Damasceno)
Giselle dos Anjos Santos, historiadora, de São Paulo. “Eu tô na rua hoje porque mais do que flores as mulheres precisam de respeito, precisam da garantia da suas vidas e da sua dignidade. Especial as mulheres negras já que sabemos que na nossa sociedade o machismo e o racismo operam conjuntamente e as nossas vidas são muito mais vulneráveis. A condição das mulheres negras precisa estar em pauta.”

Atriz
Juliana Liegel é atriz na Companhia Estudo de Cena (Victória Damasceno)
Juliana Liegel, atriz, de São Paulo. “As mulheres ainda precisam defender muito os seus direitos, temos muitas coisas pra conquistar em todas as áreas. Eu como uma trabalhadora da cultura estou aqui também para defender o direito das mulheres contra essa reforma da previdência, nós temos que estar nas ruas. Esse não é um dia de receber parabéns, é um dia de nos unirmos para defendermos os nossos direitos."

Marly
Portadora de deficiência, Marly dos Santos tem a acessibilidade como uma das suas principais pautas (Victória Damasceno)
Marly dos Santos, militante do direitos das pessoas portadoras de deficiência, de São Paulo. “Estou aqui hoje pela luta das mulheres e principalmente pela lutas das mulheres portadoras de deficiência, que não deixa de ser a mesma coisa. Por mais acessibilidade, pela aposentadoria que não podem nos tirar e pelo fora Temer. Principalmente pelo fora Temer que eu estou aqui.”