Sociedade

Projeto Dorothy Stang: Incra cria assentamento em região ameaçada por grilagem e violência no Pará

Apenas neste ano, o território do Gleba Bacajá em Anapu registrou mais de três ataques armados e ameaças de morte à liderança local

Representantes dos movimentos agrários ADUFPA, CSP-Conlutas e ANDES-SN em  comitiva com os agricultores do Lote 96 - Foto: Walter Chile/ADUPFA
Representantes dos movimentos agrários ADUFPA, CSP-Conlutas e ANDES-SN em comitiva com os agricultores do Lote 96 - Foto: Walter Chile/ADUPFA
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Dezessete anos depois de despontar como o local onde foi assassinada a freira americana Dorothy Stang, o município paraense de Anapu viveu um novo ataque no início de 2022. Em 11 de maio, cerca de 10 invasores fortemente armados e encapuzados invadiram uma área conhecida como Gleba Bacajá. O grupo expulsou as quase 54 famílias que ali viviam e, e em seguida, queimou as casas. Não houve registro de mortes ou feridos.  

Agora, Dorothy Stang dá nome um projeto que deve oferecer alento a estas famílias. O Incra oficializou, nesta sexta 1, a portaria que cria o Projeto de Assentamento Irmã Dorothy Stang.

O documento também determina a formação de 73 unidades agrícolas familiares, além de política pública de incentivo à produção e geração de renda. 

A proposta responde um pedido da Justiça Federal e do Ministério Público Federal (MPF). Com a apuração do MPF sobre o ocorrido, a Justiça Federal deu o prazo de 60 dias para o Incra realizar a criação do assentamento para os lotes 96 e 97. 

Uma das casas queimadas no ataque de 11 de maio – Foto: Arquivo pessoal

Depois de um mês desse ataque ainda foram registrados mais dois conflitos. No último, que aconteceu no dia 22 de junho, a principal liderança da comunidade, Erasmo Alves Teófilo, fez um vídeo alertando sobre o risco de invasão.

“Não estamos mais dormindo, não estamos mais produzindo, não estamos fazendo nada. Estamos servindo de zumbis e sendo ameaçados 24h por toda essa situação. Hoje o Lote 96 não dorme. Hoje nós não dormimos. Hoje nossas crianças vão ficar em claro sem saber se vão ver a luz do dia amanhã”, desabafa.

Desde 2005, ano marcado pelo assassinato da irmã Dorothy, os conflitos agrários nos assentamentos em Anapu aumentaram e cerca de 21 pessoas foram assassinadas no município, de acordo com o registro do Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno da Comissão Pastoral da Terra. 

Confira a portaria:

PORTARIA Nº 1.319, DE 28 DE JUNHO DE 2022 - PORTARIA Nº 1.319, DE 28 DE JUNHO DE 2022 - DOU - Imprensa Nacional
Camila da Silva

Camila da Silva
Repórter e Produtora de CartaCapital

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